Os contratos futuros da soja brasileira para embarque em 2026 registraram novamente prêmios negativos em relação à Bolsa de Chicago. O movimento, que não era observado desde julho, reflete uma mudança no comportamento do principal comprador global, a China, que sinaliza uma retomada, ainda que parcial, das aquisições do grão norte-americano.
O levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) aponta que essa pressão sobre os prêmios futuros levou os produtores brasileiros a adotarem uma postura comercial mais cautelosa. A prioridade tem sido a negociação no mercado spot, com condições de pagamento a prazo, como forma de garantir os atuais patamares de remuneração e gerenciar o fluxo de caixa.
Essa estratégia de comercialização confere firmeza aos preços no mercado físico nacional, que se descolam momentaneamente da pressão vista nos contratos de longo prazo. Os agricultores aproveitam a demanda interna e externa imediata para negociar lotes disponíveis, evitando se comprometer com valores futuros mais baixos.
Paralelamente, as projeções para a safra 2025/26 apontam para um volume recorde. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima uma produção de 177,6 milhões de toneladas. Se confirmado, será o maior volume já colhido na história do país, o que pode adicionar mais pressão sobre as cotações no futuro.
O desenvolvimento da safra, contudo, apresenta pontos de atenção. A Conab alerta para a possibilidade de uma produtividade menor em estados do Centro-Oeste, principal polo produtor do grão no país, como um reflexo dos efeitos do fenômeno climático La Niña, que tende a causar estiagens na região.
Por outro lado, as chuvas registradas recentemente em áreas estratégicas de produção trouxeram alívio aos produtores e renovaram o otimismo para a fase inicial de desenvolvimento das lavouras.