Embrapa leva à COP30 tecnologias para peixe e consórcio milho-capim
Publicado em 06/11/2025 11h03

Embrapa leva à COP30 tecnologias para peixe e consórcio milho-capim

A Embrapa apresentará na COP30, em Belém, tecnologias validadas para a criação de tambaqui em pequena escala e para o consórcio de milho com capim no Matopiba.
Por: Redação

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) levará duas de suas tecnologias desenvolvidas no Tocantins para a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), que ocorre em Belém (PA) entre 10 e 21 de novembro. As soluções são voltadas para a piscicultura e para sistemas agrícolas nos Cerrados da região Centro-Norte do país.

As inovações são resultado dos trabalhos de dois núcleos de pesquisa da unidade Embrapa Pesca e Aquicultura, sediada em Palmas (TO). Um dos grupos foca em aquicultura e pesca, enquanto o outro se dedica a aprimorar os sistemas de produção agrícola adaptados aos desafios específicos da fronteira agrícola do Matopiba.

Sistema para criação de tambaqui

Uma das tecnologias é um conjunto de práticas de manejo para a criação de tambaquis em tanques-rede de pequena escala. O sistema validado pela pesquisa estabelece parâmetros para a principal espécie de peixe nativo do Brasil, abordando pontos como a densidade ideal de estocagem dos animais e o volume adequado para os tanques-rede.

O manejo alimentar correto, com a quantidade de ração apropriada e horários definidos para o trato, também compõe o pacote técnico. O objetivo é aumentar os ganhos do piscicultor que comercializa sua produção diretamente ao consumidor final, sem a participação de intermediários na cadeia produtiva, o que frequentemente reduz a margem de lucro do produtor. O sistema foi desenvolvido em parceria com a Bom Peixe, uma associação de pequenos piscicultores de Palmas.

Consórcio para o Matopiba

A segunda solução a ser apresentada é o "Consórcio Certo Matopiba", que agrega tecnologias de domínio público e recomendações para a última grande fronteira agrícola brasileira. A região, que abrange os Cerrados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, apresenta desafios particulares para a produção agropecuária.

O foco da tecnologia é o manejo eficiente da adubação nitrogenada no consórcio entre o milho segunda safra e o capim. A pesquisa também define a época mais indicada para o plantio e a população adequada de plantas para ambas as culturas, buscando otimizar o uso da terra e dos insumos. O desenvolvimento desta tecnologia ocorreu em parceria com a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP).

A região do Matopiba é atualmente responsável por mais de 11% da produção nacional de grãos, com uma clara tendência de aumento de sua participação na agropecuária brasileira.