Etanol de milho já representa 42,8% da produção em MS
Publicado em 06/11/2025 11h22

Etanol de milho já representa 42,8% da produção em MS

Mato Grosso do Sul está consolidando seu protagonismo na bioenergia com a expansão da produção de etanol de milho. A iniciativa oferece novas e mais rentáveis opções de comercialização para os produtores rurais, impulsiona a economia local e contribui para a meta do estado de se tornar carbono neutro até 2030.
Por: Redação

Inauguração usina de etanol Noemille em Maracaju-MS. Foto: Divulgação

Mato Grosso do Sul consolida seu protagonismo na bioenergia com a expansão da produção de etanol de milho, uma alternativa que combina sustentabilidade, competitividade e novas oportunidades para o campo. O avanço, alinhado à meta de tornar o estado carbono neutro até 2030, gera empregos, atrai investimentos e agrega valor à produção agrícola, apresentando-se como uma opção estratégica de comercialização para o produtor rural.

Na safra 2024/2025, três usinas — duas da Inpasa Brasil (Dourados e Sidrolândia) e uma da Neomille CerradinhoBio (Maracaju) — já responderam por 38,1% dos 4,3 bilhões de litros de etanol produzidos no estado. A previsão da Conab para a safra 2025/2026 é ainda mais otimista: a produção total deve alcançar 4,9 bilhões de litros, com 42,8% derivados do milho.

Para Jean Américo, analista de economia do Sistema Famasul, o movimento reflete uma mudança de paradigma. “Estamos vivenciando uma transição energética, saindo de um combustível fóssil para um renovável. O etanol, além de reduzir impactos ambientais, representa um ganho econômico para o consumidor e para o produtor rural”, afirma.

A presença das indústrias em regiões estratégicas facilita o escoamento da safra e garante preços mais competitivos. “Com a produção ficando no estado, o produtor tem uma alternativa que reduz custos logísticos e fortalece a renda. É uma oportunidade sustentável em todos os sentidos: ambiental, econômico e social”, reforça Américo.

Sinergia entre campo e indústria

A forte demanda das usinas tem incentivado os produtores a manterem ou ampliarem a área cultivada de milho segunda safra, que tem expectativa de 14 milhões de toneladas neste ciclo. Segundo o consultor técnico da Famasul, Lenon Lovera, o impacto é sentido diretamente no campo. “O preço regional mais atrativo, os coprodutos e a sinergia com a pecuária incentivam o aumento da área cultivada e da rentabilidade”, diz.

Essa integração é um dos pilares da competitividade da cadeia. O milho abastece as usinas e, em contrapartida, os coprodutos do processamento — como o DDG (grãos secos de destilaria), óleo de milho e CO₂ industrial — retornam para as propriedades rurais. Ricos em proteína, esses insumos alimentam a pecuária, suinocultura e avicultura, barateando custos de produção e estimulando sistemas integrados, como a Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF).

Para Amaury Pekelman, presidente da Biosul, o avanço é um marco para o setor. “Mato Grosso do Sul, que já era o quarto maior produtor de etanol de cana, potencializou sua capacidade com o etanol de milho. Foi um passo estratégico para expandir e complementar o potencial do setor, consolidando o estado como um dos líderes em biocombustíveis”, analisa.

Com 19 usinas de cana e 3 de milho em operação, o estado se firma com uma matriz energética diversificada e alinhada à agenda global de descarbonização. “Estamos transformando Mato Grosso do Sul em um hub energético verde, capaz de gerar emprego, renda e um modelo produtivo de baixo carbono para o Brasil e o mundo”, complementa Pekelman.