Pegada hídrica do leite: práticas eficientes superam desafios climáticos
Publicado em 11/11/2025 12h06

Pegada hídrica do leite: práticas eficientes superam desafios climáticos

Pesquisadores avaliaram 67 fazendas no Rio Grande do Sul e concluíram que a eficiência no uso da água na produção leiteira depende diretamente do manejo das culturas e dos dejetos animais.
Por: Redação

Um estudo conduzido por pesquisadores de instituições brasileiras e alemãs quantificou o impacto das práticas de manejo e das mudanças climáticas na pegada hídrica da produção de leite. Publicado na revista Science of The Total Environment, o trabalho analisou 67 propriedades em Lajeado Tacongava (RS), gerando dados para orientar a sustentabilidade da atividade.

A pesquisa avaliou o consumo de água em três categorias: verde (água da chuva consumida pelas culturas forrageiras), azul (água de fontes superficiais e subterrâneas para animais e limpeza) e cinza (água necessária para diluir poluentes, como o nitrato dos efluentes). Foram realizadas 192 combinações de cenários para cada fazenda.

A pegada hídrica média encontrada foi de 704 litros de água por quilo de leite corrigido para o teor de proteína e gordura. Os valores variaram de 299 a 1.058 litros, mostrando uma grande diferença na eficiência entre as propriedades. A ração animal foi o principal componente, com a pegada hídrica verde representando 98,8% do total.

Segundo Julio Palhares, pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste e coautor do estudo, a maior eficiência hídrica foi alcançada com o aumento da produtividade das lavouras de milho e soja, a redução do consumo de água na limpeza da sala de ordenha e o tratamento de efluentes. "Independentemente do modelo de produção, se gerenciado corretamente, ele pode ser ambientalmente amigável em relação à água", destaca Palhares.

Nos sistemas a pasto, a variação foi a maior, de 299 a 1.058 litros por quilo de leite. Nas propriedades semi-confinadas, a média ficou entre 656 e 965 litros, enquanto nos confinamentos, mais intensivos, a variação foi de 562 a 950 litros, refletindo uma maior eficiência produtiva por vaca.

O cenário climático adverso demonstrou ser um fator de piora na eficiência. O aumento da temperatura média entre 1,5 °C e 2,5 °C eleva o consumo de água azul pelos animais. Além disso, a projeção de queda de 15% na produtividade do milho, devido ao clima, aumenta a pegada hídrica verde.

O aumento da produtividade das culturas agrícolas surge como a ação mitigadora de curto prazo mais efetiva. Contudo, os próprios efeitos das mudanças climáticas limitam essa alternativa. As práticas de manejo contribuem para o alcance de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, como o ODS 12 (consumo e produção responsáveis) e o ODS 13 (ação contra a mudança global do clima).