O governo brasileiro e o dos Estados Unidos avançam nas negociações para um acordo provisório em relação às sobretaxas aplicadas a produtos brasileiros, em vigor desde 6 de agosto. A informação foi confirmada pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, nesta quinta-feira (13), após reunião em Washington com o secretário de Estado americano, Marco Rubio.
Segundo o chanceler, o secretário americano acenou com a possibilidade de um acordo temporário, que pode ser fechado entre o fim de novembro e o início de dezembro. A medida funcionaria como um "mapa do caminho" para que os dois países cheguem a um consenso sobre todas as pendências comerciais em um prazo de até três meses.
"Isso representa uma demonstração do interesse do governo americano, e do secretário de Estado, em solucionar todas as questões ainda pendentes da relação com o Brasil", afirmou Vieira à imprensa brasileira na capital americana.
O chefe do Itamaraty lembrou que o governo brasileiro já havia encaminhado uma resposta formal aos Estados Unidos no dia 4 de novembro. O documento foi uma réplica à primeira lista de temas apresentada pelo governo americano em 16 de outubro, quando Vieira também esteve reunido com Rubio em Washington.
De acordo com o ministro, a Casa Branca deve apresentar uma resposta à contraproposta brasileira em breve. "O secretário de Estado disse que estão examinando com toda a atenção e que querem resolver rapidamente as questões bilaterais com o Brasil. E que a resposta virá muito proximamente, amanhã [hoje] ou na próxima semana", detalhou.
Vieira acrescentou que o próprio presidente americano, Donald Trump, manifestou interesse em uma solução rápida para a pauta, segundo relato de Rubio. "Ele [Rubio] disse que comentou com o presidente Trump que ia se reunir comigo, e o presidente americano manifestou a intenção de resolver rapidamente, de manter uma boa relação com o Brasil", disse o ministro.
Apesar do otimismo, o chanceler evitou detalhar quais medidas ou produtos podem integrar o acordo provisório. Questionado sobre o café, por exemplo, Vieira ressaltou que o foco do diálogo atual é político, estabelecido para abrir caminho para as negociações técnicas, que ocorrem em um canal separado.