Um levantamento conduzido pelo Instituto de Educação e Pesquisa em Alimentação Animal expôs a forte concentração da capacidade produtiva de vitaminas e aminoácidos essenciais na China. Os dados mostram que o país asiático detém uma parcela majoritária da fabricação global desses insumos, que são componentes fundamentais em dietas para animais e humanos.
A divulgação do estudo levou a Associação Americana da Indústria de Alimentos para Animais (AFIA, na sigla em inglês) a manifestar preocupação. A entidade declarou que pretende mobilizar autoridades governamentais e o setor agroalimentar para encontrar formas de reduzir os riscos associados a uma possível interrupção no fornecimento desses ingredientes.
O relatório analisou os fluxos comerciais globais de vitaminas como A, B1, B2, B3, B7 (biotina), B12, D3 e E, além de aminoácidos como lisina, treonina, triptofano e metionina. Nutricionistas consultados durante o estudo apontaram que mesmo pequenas reduções na oferta desses componentes podem afetar a saúde e a produtividade dos animais de forma rápida.
Segundo a análise, entre os anos de 2020 e 2024, os Estados Unidos importaram a maior parte de suas vitaminas da China. Em alguns casos, a dependência é total. A produção mundial de biotina, por exemplo, está 100% localizada em território chinês, o que significa que não existem alternativas de fornecimento em caso de uma ruptura na cadeia.
Embora o relatório tenha foco no mercado norte-americano, a situação representa um ponto de atenção para o agronegócio brasileiro. O Brasil é um dos maiores produtores e exportadores de proteína animal do mundo e também depende da importação de muitos desses aditivos para a formulação de rações para bovinos, suínos e aves.
Qualquer instabilidade no fornecimento ou uma escalada nos preços desses insumos no mercado internacional pode impactar diretamente os custos de produção no campo. A competitividade da carne, do leite e dos ovos brasileiros no exterior está ligada à capacidade do produtor de manter uma nutrição animal eficiente e economicamente viável.
Diante do cenário, a associação norte-americana informou que atuará na definição de prioridades e na busca por caminhos para diversificar as cadeias de suprimentos. A oferta estável de vitaminas e aminoácidos influencia diretamente o desempenho zootécnico dos rebanhos e, consequentemente, a produção de alimentos.