Fazenda de MS atinge 20@ com tricross usando Santa Gertrudis
Publicado em 25/11/2025 10h56

Fazenda de MS atinge 20@ com tricross usando Santa Gertrudis

O uso de touros Santa Gertrudis, selecionados via ultrassom de carcaça, permitiu a uma fazenda em MS abater animais com 20@ aos 15 meses. A estratégia une performance e rusticidade no cruzamento industrial, resolvendo um desafio da pecuária intensiva.
Por: Redação

A busca por animais produtivos e adaptados aos sistemas tropicais tem direcionado as estratégias de cruzamento industrial no Brasil. Em Nova Andradina (MS), a Fazenda Boa Vista encontrou no Santa Gertrudis uma solução para um desafio comum na pecuária intensiva: obter alto desempenho sem perder a rusticidade necessária para o clima brasileiro.

O gestor da propriedade, Douglas Rodrigues, explica que o desempenho de animais tricross com raças taurinas especializadas diminuía na fase de confinamento. “Os tricross que fazíamos com Angus, Bonsmara ou Brahman nasciam muito bem, desmamavam pesados, mas no confinamento parte deles perdia desempenho por causa do nível de sangue europeu”, afirma.

A mudança na estratégia ocorreu com a seleção de touros baseada em dados de ultrassonografia de carcaça, priorizando Área de Olho de Lombo (AOL), Espessura de Gordura Subcutânea (EGS) e marmoreio. Essa busca levou a fazenda à genética da Fazenda Mangabeira, de Sergipe, que desenvolve um trabalho de seleção com a raça há 47 anos.

A Mangabeira é pioneira no uso da tecnologia de ultrassom e possui o único rebanho Santa Gertrudis no país 100% avaliado pelo software BIA. Com a introdução de touros como o Justus em vacas F1, os resultados na Fazenda Boa Vista foram notáveis. “Abatemos com 15, 16 meses e média de 20 arrobas, com ótimo GMD e excelente padrão de carcaça”, destaca Rodrigues.

Adaptação e Qualidade da Carne

Além do ganho de peso, o gestor aponta a adaptação dos animais como um diferencial. “É animal de pelo curto, muito mais tolerante ao calor, à pressão de parasitas e ao manejo intensivo. Isso impacta diretamente no lucro”, comenta. A combinação de produtividade e rusticidade é o ponto central do trabalho de seleção.

A zootecnista Liliane Cunha, diretora da DTG Brasil e responsável pelas avaliações da Mangabeira, explica que o equilíbrio entre AOL, EGS e marmoreio é o que define o sucesso. “Quando você seleciona de forma consistente para as três, consegue animais que crescem rápido, terminam cedo e entregam carne de qualidade mesmo em ambientes quentes e restritivos”, pontua a doutora em Produção Animal.

Genética Disponível ao Mercado

O trabalho de seleção da Fazenda Mangabeira já resultou na contratação de quatro de seus touros por centrais de inseminação. Com a demanda crescente, a fazenda realizará seu leilão anual no dia 4 de dezembro, com transmissão pelo canal da Central Leilões no YouTube e pelo Lance Rural.

Para Gustavo Barretto, gestor da Mangabeira, o objetivo é difundir uma genética funcional. “Nosso compromisso é democratizar uma genética capaz de produzir carne de qualidade em clima quente. Entregamos ao produtor a chance de acelerar o ciclo sem perder adaptabilidade, o grande gargalo das raças especializadas”, finaliza.