
Os desafios para manter o status sanitário recém-conquistado e as oportunidades de acessar novos mercados globais marcaram o VIII Fórum do PNEFA – Plano Estratégico do Programa Nacional de Vigilância para a Febre Aftosa. O encontro, realizado nesta quinta-feira (27), foi o primeiro após o Brasil receber da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) a certificação de área livre da doença sem vacinação.
O evento, promovido no auditório da Famasul, em Mato Grosso do Sul, reuniu produtores, técnicos e especialistas para discutir as responsabilidades que surgem nesta nova fase. Realizado pelo Senar/MS, Famasul e outras entidades do setor, o fórum apontou que o compromisso agora é manter o status, fortalecer a vigilância e preparar o setor para mercados mais exigentes.
O presidente do Sistema Famasul, Marcelo Bertoni, destacou o trabalho de biosseguridade desenvolvido. “Trabalhamos intensamente na orientação aos produtores, e agora o desafio é manter o status. Precisamos abrir novos mercados, fortalecer ações conjuntas e garantir que o Brasil não fique dependente de apenas um destino comercial”, afirmou.
O diretor-presidente da Iagro, Daniel Ingold, pontuou que a manutenção do status depende da participação do produtor. “Para manter o status, é essencial que o produtor notifique qualquer suspeita no rebanho. A vigilância é ativa, mas também passiva quando o produtor observa e comunica o serviço veterinário oficial”, destacou.
Ingold também lembrou que a certificação sanitária amplia as oportunidades comerciais para a suinocultura, que ganha novas possibilidades de exportação. Outro ponto abordado foi a identificação individual de bovinos e búfalos, prevista no Plano Nacional de Identificação e Rastreabilidade, que estabelece prazos a serem cumpridos pelos produtores.
A diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, analisou o impacto global do novo status. “Países como Japão e Coreia do Sul, que são grandes e exigentes, reconhecem esse certificado e pagam mais pela carne”, explicou. Segundo ela, o Brasil passa a negociar em outro patamar, posicionando a carne bovina em uma prateleira premium.
Mori detalhou a atuação da CNA para abrir e defender mercados, com escritórios internacionais em Dubai, Xangai, Singapura e Bruxelas. “O futuro é muito promissor. A abertura comercial tem avançado, e esperamos resultados já nos próximos anos”, afirmou. Bertoni comentou o interesse crescente de países como o Japão e o avanço de acordos, como o Mercosul–União Europeia.
O secretário da Semadesc, Jaime Verruck, apresentou dados que mostram a relevância da pecuária para a economia de Mato Grosso do Sul. O Estado registrou um PIB de R$ 184,4 bilhões, segundo dados do IBGE de 2023, com a segunda maior taxa de crescimento do país, quatro vezes superior à média nacional.
Na pecuária, Verruck destacou uma "revolução silenciosa", com redução de área de pastagens, manutenção do rebanho e aumento do número de animais abatidos, resultado do uso de tecnologia e inovação.
Em 2024, a carne bovina foi o terceiro produto mais exportado por Mato Grosso do Sul, e o Estado ocupou a posição de quarto maior exportador nacional do item.