Crise do arroz: setor debate uso da CDO como subvenção no RS
Publicado em 27/11/2025 15h30

Crise do arroz: setor debate uso da CDO como subvenção no RS

A Federarroz debateu em audiência pública o uso da CDO como subvenção para a cadeia do arroz no RS, que enfrenta crise de preços e estoques elevados.
Por: Redação

Audiência Taxa CDO. Foto: Érika Ferraz AgroEffective Divulgação

A Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) participou, nesta quinta-feira (27), de uma audiência pública para debater a proposta que desonera a exportação de arroz do pagamento da CDO (Taxa de Cooperação e Defesa da Orizicultura). O encontro analisou o cenário atual do setor, marcado por estoques elevados e preços abaixo do mínimo.

Durante a reunião, foram apresentados dados que mostram a conjuntura crítica. O Brasil iniciou a colheita de 2025 com cerca de 500 mil toneladas de arroz em casca em estoque. A projeção para 2026 indica que o volume nacional pode ultrapassar 2 milhões de toneladas, enquanto o Mercosul pode alcançar 3 milhões.

Mecanismos de Apoio

O presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes, avaliou a audiência como um passo preparatório para as votações de outro Projeto de Lei (PL) do executivo, previstas para a próxima semana. A proposta permitirá o uso da CDO para programas de apoio ao setor. “Foi uma oportunidade para os entes da cadeia explanarem o que pretendem com a taxa CDO”, explica Nunes.

Segundo ele, o objetivo é adequar o estatuto do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). “Busca-se viabilizar mecanismos que possam permitir algum tipo de subvenção ao setor, algo muito necessário no momento atual e na conjuntura enfrentada pela cadeia orizícola no Rio Grande do Sul”, comenta.

Cenário de Desvalorização

Nos últimos anos, a área destinada ao cultivo de arroz no Brasil teve uma redução superior a 30%. O Rio Grande do Sul é responsável por aproximadamente 70% do volume colhido no país. A cotação atual do produto, segundo o Cepea, está em torno de R$ 53,75, valor muito abaixo do mínimo estipulado pela Conab e distante dos mais de R$ 108,00 registrados há um ano.

A audiência também tratou dos impactos sociais da crise, como a queda na arrecadação estadual, o aumento do endividamento dos produtores e a retração de empregos na metade sul do estado. O fortalecimento das atividades de pesquisa e extensão rural do Irga foi apontado como uma ação importante para o setor.

Os próximos passos serão definidos na próxima semana, quando o PL que trata do estatuto do Irga e do uso dos recursos da CDO voltará à pauta. Para a Federarroz, a definição de medidas estruturais e emergenciais é fundamental para garantir a sustentabilidade da cadeia produtiva.