A integração de produtos biológicos ao manejo agrícola tem se consolidado como uma ferramenta estratégica no campo. Segundo um levantamento da FGVAgro, a área tratada com bioinsumos no Brasil cresceu 50% na safra de 2023/2024, em comparação com o ciclo 2021/2022. Esses produtos, formulados a partir de microrganismos, otimizam a absorção de nutrientes e protegem as plantas.
Os biológicos atuam diretamente na eficiência nutricional das culturas. Microrganismos como bactérias fixadoras de nitrogênio ou facilitadoras da absorção de fósforo aumentam a capacidade das plantas de assimilar nutrientes. “Eles permitem maior aproveitamento de nutrientes como nitrogênio e fósforo, ao mesmo tempo em que reduzem a necessidade de insumos químicos”, destaca Rafael de Souza, CEO da Symbiomics, empresa de biotecnologia.
Um estudo publicado no Europe PMC demonstrou que bioinsumos elevam a qualidade nutricional de frutas e hortaliças ao aumentar os níveis de compostos antioxidantes. Outra pesquisa, publicada na revista Agriculture, apontou que biofertilizantes elevaram, em média, o teor de vitamina C em 14,6% e de proteína em 16,6% nas culturas analisadas.
Apesar de presentes no Brasil desde a década de 1950, o mercado de biológicos ainda é concentrado. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), dos 737 produtos aprovados no país, cerca de 62% são à base de microrganismos do gênero Bradyrhizobium e 10% utilizam cepas de Azospirillum brasilense. Entre 2020 e 2024, foram registrados 631 novos inoculantes.
A fixação biológica de nitrogênio (FBN) na soja já é uma tecnologia consolidada, cobrindo quase 90% da área cultivada e substituindo fertilizantes nitrogenados em larga escala. A inovação agora se volta para a aplicação em gramíneas, como milho, trigo e cana-de-açúcar.
Um estudo estratégico do MAPA, publicado em 2024, estima que a adoção de bioinsumos em gramíneas poderia gerar uma economia de até US$ 5,1 bilhões anuais para o agronegócio brasileiro. A medida também poderia reduzir em até 18,5 milhões de toneladas as emissões de CO2.
“O agronegócio brasileiro enfrenta o desafio de manter altas produtividades e responder às demandas por sustentabilidade. É nesse contexto que os biológicos ganham protagonismo”, completa Jader Armanhi, COO da Symbiomics. A empresa utiliza estudo de microbioma, genômica e inteligência artificial para desenvolver novos microrganismos a partir da biodiversidade brasileira.
A plataforma tecnológica da Symbiomics permite isolar e analisar milhares de cepas microbianas para identificar aquelas com maior potencial. Recentemente, a empresa anunciou parcerias com a Nitro e a Stoller, e concluiu uma rodada de financiamento Série A liderada pela Corteva Catalyst, com participação de outros fundos de investimento.