
Presidente do Sistema Famasul, Marcelo Bertoni e o economista Ricardo Amorim. Foto João Castro / Famasul.
O Brasil se tornou o único grande país emergente com risco geopolítico próximo de zero, posicionando-se como um destino seguro para o capital internacional em um cenário de instabilidade global. A análise foi feita pelo economista Ricardo Amorim durante a 16ª edição do MS Agro, realizada na sede da Famasul, em Campo Grande (MS), nesta quinta-feira (27).
Segundo Amorim, o mundo vive um momento de multiplicação de conflitos, como as guerras envolvendo Rússia, Ucrânia, Israel e as tensões entre China e Estados Unidos. Esse ambiente de incerteza afasta os investidores de outros grandes mercados emergentes, que antes eram vistos como alternativas.
Para o economista, o grupo de grandes países emergentes se resume a quatro nomes principais: Brasil, Rússia, Índia e China, os BRICs originais. “Se você quer mercado emergente, tem esses quatro. Se for com risco geopolítico baixo, a história muda. Você não quer colocar dinheiro na Rússia agora, e faz anos que estão tirando dinheiro da China”, explicou.
Ele acrescentou que a Índia, que até recentemente recebia grande parte desse fluxo de capital, também entrou em conflito, o que direcionou ainda mais os olhares para o Brasil. “O Brasil passou a ganhar a briga faz três meses. Entrou mais dinheiro no Brasil porque foi quando começou a guerra da Índia”, afirmou Amorim.
Esse movimento explica a entrada recorde de investimento estrangeiro direto no país. “Nos últimos dois meses, entraram mais de dez bilhões de dólares de investimento de longo prazo de empresas no Brasil. Porque o Brasil está às mil maravilhas? Não, porque o Brasil está ganhando de W.O., porque os outros conseguem estar piores do que a gente”, pontuou.
Esse fluxo de capital externo tem um impacto direto na economia nacional. A entrada de dólares pressiona a taxa de câmbio para baixo, o que, por sua vez, ajuda a controlar a inflação. Com a inflação mais baixa, abre-se espaço para a redução da taxa de juros, estimulando o crédito e o crescimento econômico.
Amorim descreveu a situação com a analogia de uma festa com poucas opções. “Imagina que você está solteiro, vai para uma balada e deu muito azar. Você dá uma olhada e fala: ‘é o que temos’. O Brasil, hoje, é o ‘é o que temos’ para o investidor global que busca um grande mercado emergente com segurança”, concluiu.
Essa conjuntura, segundo ele, cria um cenário onde, para a economia brasileira dar errado, seria preciso um esforço muito grande do próprio país.