
Foto: João Castro / Famasul
O agronegócio brasileiro registra um ganho de produtividade anual superior ao da economia dos Estados Unidos como um todo, mas ainda é percebido internacionalmente como um vilão ambiental por uma falha crônica de comunicação. A análise foi apresentada pelo economista Ricardo Amorim no evento MS Agro, na Famasul.
“Nos últimos 40 anos, o ganho médio anual de produtividade do agro brasileiro foi de 3%. O ganho médio de produtividade da economia americana, o país mais rico do mundo, foi de 2%. Se o resto do Brasil crescesse com o mesmo ritmo do agro, a gente era a Suíça”, comparou Amorim. Ele citou como exemplo a cultura do milho, que dobrou a área plantada, mas quadruplicou a produção graças à tecnologia.
Apesar desse desempenho, a percepção externa é negativa. Amorim apresentou dados da Embrapa que mostram que dois terços (66%) do território brasileiro são protegidos, somando áreas de preservação do produtor rural, parques florestais e reservas indígenas. “O segundo país que mais protege no mundo são os Estados Unidos, com 20%. E o Brasil é que é visto como destruidor de floresta. Sabe o que isso significa? Nós somos muito ruins de comunicação”, afirmou.
Para o economista, o setor não pode mais esperar que o governo, seja qual for a vertente ideológica, faça a defesa de sua imagem no exterior. “A comunicação do Brasil, historicamente, é feita pelo governo. Não dá para esperar que vai vir na mão deles. O agro brasileiro precisa puxar para si essa comunicação”, defendeu.
Ele argumentou que essa percepção negativa não se limita ao exterior, sendo replicada em grandes centros urbanos como São Paulo, o que torna a comunicação para dentro do país igualmente necessária.
Amorim também destacou que a demanda por alimentos continuará a crescer, impulsionada por novos gigantes populacionais. Ele traçou um paralelo entre o boom causado pela entrada da China na Organização Mundial do Comércio, no início dos anos 2000, e o que deve acontecer com a Índia.
“O efeito de aumento de demanda que a China causou lá atrás, a Índia vai causar igualzinho. O nível de renda da Índia hoje é parecido com o da China há 25 anos. Quando alguém muito pobre aumenta de renda, ele come mais comida”, explicou. Com 40% das terras agricultáveis ainda disponíveis no mundo localizadas no Brasil, o país está posicionado para atender a esse crescimento.