O mercado global de fertilizantes iniciou 2025 com uma forte alta nos preços dos principais nutrientes, mas já apresenta uma correção, embora os patamares permaneçam elevados. Segundo o relatório “Visão Agro” do Itaú BBA, o setor segue sensível a riscos geopolíticos, que podem desestabilizar novamente os fundamentos de mercado.
Os fosfatados lideraram as altas no começo do ano, impulsionados pela ausência da China no mercado exportador e pela crescente demanda de outros setores, como o de baterias. Os nitrogenados, por sua vez, foram afetados por tensões no Oriente Médio, região que concentra cerca de 40% das exportações globais de ureia e amônia.
Atualmente, os preços já recuaram das máximas observadas no meio do ano, em função do alívio nos riscos geopolíticos. Para os próximos meses, a expectativa é de continuidade da correção, com uma acomodação em níveis ainda altos.
No Brasil, o ritmo intenso das importações e das entregas aos produtores surpreendeu positivamente. O relatório aponta que nem os preços elevados nem a piora na relação de troca reduziram significativamente os volumes adquiridos pelos agricultores.
Contudo, a análise destaca um ponto de atenção: o atraso na comercialização dos insumos para a próxima safra. A necessidade de realizar compras em períodos curtos, somada a margens agrícolas mais pressionadas, pode afetar negativamente os produtores.
Esse cenário aumenta o risco logístico e pode comprometer a chegada dos fertilizantes no momento ideal para o plantio, impactando o potencial produtivo das lavouras. O relatório também observa que os preços elevados influenciaram a qualidade dos insumos, com maior uso de produtos de menor concentração de macronutrientes.