
Mato Grosso do Sul consolida sua estratégia rumo à neutralidade de carbono por meio de políticas públicas e atração de investimentos robustos. Um dos principais movimentos nesse sentido foi o anúncio de um pacote de R$ 2,36 bilhões da Atvos para a instalação de três novas plantas industriais no estado, fortalecendo a rota da bioenergia.
O anúncio foi destacado pelo secretário da Semadesc, Jaime Verruck, durante o Encontro Anual da Atvos. Os investimentos incluem a construção da primeira planta de biometano da empresa no estado, em Nova Alvorada do Sul, com capacidade para 28 milhões de metros cúbicos por safra, e duas novas usinas de etanol de milho.
Cada usina de etanol de milho deve processar cerca de 534 mil toneladas do grão por safra, resultando em uma produção de aproximadamente 250 milhões de litros do biocombustível. Os projetos estão atualmente em fase de estudo de engenharia e se somarão à produção já consolidada de etanol de cana da companhia.
“A Atvos apresentou ao governo sua adesão à rota do biometano e anunciou a entrada no mercado de etanol de milho, que será produzido em suas unidades de Nova Alvorada e Costa Rica. Desta forma, a empresa se consolida como produtora de energia, etanol e biometano no Estado”, destacou Verruck.
O governo estadual tem atuado para criar um ambiente de negócios favorável à descarbonização. Segundo o secretário, nos últimos três anos, cinco milhões de hectares de pastagens degradadas foram reintegrados ao processo produtivo com o cultivo de eucalipto, soja e milho. “A ação equivale ao impacto de dois milhões de hectares de pastagem”, disse Verruck.
O estado também avança no mercado de carbono com o mecanismo REDD+ Jurisdicional. “Recentemente divulgamos nossos avanços no combate ao desmatamento e fomos habilitados para 85 milhões de toneladas de CO₂ equivalente”, afirmou o secretário. Um edital para a comercialização desses créditos está previsto para janeiro, com expectativa de atrair investidores internacionais.
Sobre a meta de neutralidade de carbono, Verruck reconheceu que o prazo original de 2030 pode ser estendido. “Talvez a concretização plena só ocorra em 2031 ou 2032 — mas o importante é que estabelecemos um propósito claro, legítimo e duradouro”, afirmou.