O mercado global de fertilizantes apresentou volatilidade em 2025, com uma alta nos preços dos principais nutrientes no início do ano, seguida por um movimento de ajuste. Segundo análise do Itaú BBA, o cenário foi influenciado por uma combinação de demanda aquecida e restrições na oferta global.
Os fosfatados registraram a valorização mais intensa, impactados pela ausência temporária da China no mercado exportador. A crescente demanda da indústria de baterias e o aumento no preço do enxofre, matéria-prima para sua produção, também contribuíram para a alta. A normalização das exportações chinesas ao longo do ano trouxe alívio para as cotações.
No segmento de nitrogenados, os preços seguiram valorizados em meio a riscos geopolíticos. A produção de ureia e amônia, concentrada no Oriente Médio, foi afetada pela percepção de insegurança gerada pelas tensões entre Israel e Irã. Para os potássicos, a demanda firme e a redução temporária nas exportações de Rússia e Belarus sustentaram os preços em patamares elevados.
Atualmente, as cotações recuaram das máximas observadas no meio do ano, em função do alívio nos riscos geopolíticos. A expectativa é de continuidade da correção nos próximos meses, embora os preços devam se acomodar em níveis ainda altos. O setor permanece vulnerável a novos episódios de instabilidade.
No Brasil, o ritmo das importações e das entregas aos produtores surpreendeu positivamente. Os preços elevados não reduziram os volumes de forma significativa, mas impactaram a qualidade dos insumos, com maior uso de produtos de menor concentração de macronutrientes.
O principal ponto de atenção no cenário nacional é o atraso na comercialização de insumos para a próxima safra. A necessidade de compras concentradas em períodos curtos, somada a margens pressionadas, pode aumentar o risco logístico e comprometer a chegada dos fertilizantes no momento ideal para o plantio.