Revisão do USDA para baixo estoque de milho e aquecimento do mercado
Publicado em 10/12/2025 10h21

Revisão do USDA para baixo estoque de milho e aquecimento do mercado

O USDA de dezembro revelou uma oferta global de milho mais apertada para a safra 2025/26, com redução nos estoques dos EUA, aumento nas projeções de exportação e corte na produção da Ucrânia.
Por: Wisley Torales

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou, em seu relatório de dezembro, um cenário de maior abertura para a oferta e demanda global de milho na safra 2025/26. As projeções indicam uma redução nos estoques finais mundiais, que deve cair 5%, passando de 293 para 279 milhões de toneladas.

O principal destaque do relatório foi a revisão para os baixos estoques finais dos Estados Unidos, que foram reduzidos de 54,7 para 51,5 milhões de toneladas. A mudança é reflexo de uma demanda de exportações mais moderada do que o esperado, com a projeção de embarques norte-americanos subindo de 78,1 para 81,3 milhões de toneladas.

Cenário internacional e Brasil

Outro fator que contribui para a oferta mais restrita é o corte na estimativa de produção da Ucrânia. A projeção para a safra ucraniana foi reduzida de 32 para 29 milhões de toneladas, um ajuste que impacta diretamente a disponibilidade do grão no mercado internacional.

Para a América do Sul, as projeções para a Argentina foram mantidas em 53 milhões de toneladas. No Brasil, o USDA manteve a estimativa de produção em 131 milhões de toneladas para a safra 2025/26. O consumo interno brasileiro está projetado em 96,5 milhões de toneladas, com exportações de 43 milhões de toneladas.

O relatório também apontou uma redução na produção da União Europeia, que deve colher 57 milhões de toneladas, 4% a menos que na safra anterior. A China, um dos maiores consumidores globais, deve manter sua produção estável em 295 milhões de toneladas.

Com um consumo global que deve crescer 3%, para 1,28 bilhões de toneladas, e uma produção que avança em ritmo semelhante, o balanço final aponta para uma relação estoque/consumo (E/C) mundial de 22%, abaixo dos 23% da safra anterior, estabelecendo um quadro de maior atenção para os preços no mercado.