Diferente do milho, o cenário para o trigo é de maior tranquilidade, segundo o relatório de oferta e demanda (WASDE) de dezembro, divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). A projeção para a produção mundial na safra 2025/26 foi elevada de 829 para 838 milhões de toneladas, um aumento de 5% em relação à safra anterior.
Esse incremento na oferta foi impulsionado principalmente por revisões positivas em importantes regiões produtoras. A produção da União Europeia foi ajustada para cima, de 142 para 144 milhões de toneladas. Na América do Sul, o destaque foi a Argentina, cuja projeção de safra subiu de 22 para 24 milhões de toneladas.
Como resultado direto do aumento na produção, os estoques globais também foram revisados para cima, passando de 271 para 275 milhões de toneladas. O volume representa um crescimento de 6% em relação à safra 2024/25, diminuindo uma maior disponibilidade do cereal no mercado.
Além da Argentina e da União Europeia, outros grandes produtores tiveram suas estimativas ajustadas. A produção da Rússia foi elevada para 87,5 milhões de toneladas, enquanto a do Canadá subiu para 40 milhões. Para o Brasil, a projeção de produção foi mantida em 7,7 milhões de toneladas, com um consumo interno de 12,4 milhões de toneladas.
Nos Estados Unidos, a produção deve se manter em 54 milhões de toneladas, com estoques resultantes em 24,5 milhões. A China, maior produtora e consumidora mundial, deve colher 140 milhões de toneladas e consumir 148 milhões, mantendo seus números inalterados em relação ao relatório anterior.
Com a revisão, a relação estoque/consumo (E/C) global para o trigo subiu para 34%, ante os 32% projetados para a safra 2024/25. Esse indicador reforça a percepção de um balanço de oferta e demanda mais confortável, o que pode exercer pressão sobre as cotações internacionais do grão nos próximos meses.