Arábica e Robusta: por que o mercado físico começou o ano em retração?
Publicado em 07/01/2026 12h15

Arábica e Robusta: por que o mercado físico começou o ano em retração?

O mercado físico de café iniciou 2026 com baixa liquidez, refletindo a cautela de compradores e produtores que aguardam melhores condições de preço.
Por: Redação

O mercado físico brasileiro de café começou o ano de 2026 operando com extrema lentidão. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o volume de transações registradas nestes primeiros dias permanece restrito a necessidades imediatas. Produtores buscam liquidez apenas para cobrir despesas de curto prazo, evitando a comercialização de grandes lotes.

A postura defensiva é mútua entre os elos da cadeia. Do lado da oferta, o setor produtivo demonstra pouca disposição em aceitar os valores atuais. No lado da demanda, os compradores globais e nacionais mantêm uma atuação discreta, aguardando definições mais claras sobre as cotações internacionais e a estabilidade do câmbio no período pós-festas.

No segmento do café arábica, a baixa disponibilidade de vendedores no mercado spot nacional é o principal entrave. Esse afastamento dos cafeicultores cria um cenário de escassez de ofertas, o que impede a formação de um preço médio mais atrativo. A expectativa de que o mercado futuro apresente reações positivas nas próximas sessões contribui para essa retenção de estoque.

Já o café robusta enfrenta um contexto de retração com componentes específicos. A safra 2025/26, caracterizada por um volume superior às anteriores, permite que o produtor tenha maior fôlego para administrar seus estoques. No entanto, o preço médio pago pela saca de conilon sofreu uma pressão negativa acentuada ao longo de todo o ano de 2025.

A desvalorização do robusta superou, em termos percentuais, a queda observada no arábica durante o último ciclo anual. Esse diferencial de preços afeta diretamente a margem de lucro e explica o porquê de os produtores segurarem os lotes. As vendas só ocorrem em momentos de extrema necessidade financeira, o que limita o fluxo de capital no setor.

"As cotações do robusta apresentaram uma desvalorização mais intensa do que as do arábica em 2025, influenciando o comportamento dos produtores que aguardam valorização", aponta o Cepea.

Para os pesquisadores da instituição, a tendência é que o cenário atual de estagnação mude rapidamente. A projeção é de que o mercado ganhe tração a partir da segunda semana de janeiro. O avanço natural do cronograma agrícola e a necessidade de fluxo de caixa para custeio da safra vigente devem forçar a entrada de novos lotes no mercado.

A movimentação da próxima semana será determinante para estabelecer o piso das cotações de janeiro. Analistas observam que a necessidade de liquidez, somada à retomada das atividades plenas nas tradings e cooperativas, tende a destravar as negociações. O mercado aguarda agora a definição dos compradores para testar a resistência dos preços no curto prazo.