Tensões na Venezuela trazem baixa volatilidade para o mercado de ureia
Publicado em 07/01/2026 08h30

Tensões na Venezuela trazem baixa volatilidade para o mercado de ureia

Apesar das tensões geopolíticas, a baixa participação da Venezuela no comércio global de ureia minimiza riscos de desabastecimento ou alta nos preços.
Por: Redação

As recentes incertezas políticas e diplomáticas envolvendo a Venezuela e os Estados Unidos colocaram o setor de insumos agrícolas em alerta. No entanto, análises da consultoria StoneX indicam que o peso do país vizinho na cadeia global de fertilizantes nitrogenados é insuficiente para gerar um choque de oferta. O mercado internacional monitora a situação, mas a percepção de risco estrutural permanece baixa para os produtores rurais.

Diferente de outros grandes produtores de petróleo, que utilizam o gás natural para dominar o mercado de nitrogenados, a Venezuela não converteu suas reservas em dominância comercial no setor de adubos. Países como Rússia, Catar e Argélia mantêm uma correlação direta entre energia e fertilizantes muito mais eficiente. No caso venezuelano, a infraestrutura produtiva limitada impede um protagonismo maior nas exportações.

Em termos estatísticos, o país ocupou apenas a 18ª posição no ranking mundial de exportadores de ureia em 2024. O volume embarcado foi ligeiramente superior a 560 mil toneladas, o que representa cerca de 1% do comércio global. Para efeito de comparação, a Rússia detém 18% do market share mundial, o que demonstra que uma eventual interrupção do fluxo venezuelano seria facilmente absorvida por outros players.

No contexto brasileiro, a relevância da ureia venezuelana é um pouco mais acentuada devido à proximidade geográfica, mas vem perdendo espaço. Em 2024, o Brasil buscou 6% de suas importações de ureia no país vizinho. Contudo, dados compilados entre janeiro e novembro de 2025 mostram que essa participação caiu para menos de 5%, confirmando um movimento de diversificação das origens de compra.

O parque de suprimentos do agronegócio nacional está hoje ancorado em bases mais sólidas e diversificadas. Os principais fornecedores de nitrogênio para as lavouras brasileiras em 2025 foram Nigéria, Rússia e Catar. Essa capilaridade de fornecedores é um mecanismo de defesa contra crises regionais, garantindo que o cronograma de adubação das safras de grãos não sofra interrupções por questões ideológicas ou sanções econômicas.

"A participação venezuelana no comércio mundial de ureia é limitada, o que reduz o risco de efeitos estruturais sobre preços e oferta no cenário global", avalia a StoneX.

Até o momento, não foram registrados danos à capacidade produtiva ou exportadora das unidades venezuelanas. O único ponto de atenção reside nos custos logísticos. O aumento das incertezas na região pode elevar pontualmente os prêmios de seguro e os fretes marítimos no Caribe. Entretanto, esses reajustes são considerados marginais e não possuem força para alterar a tendência de preços médios dos fertilizantes no porto de Paranaguá.

A estabilidade do mercado de ureia neste início de 2026 reforça a maturidade do sistema de importação brasileiro. Com a colheita da safra de verão em andamento e o planejamento da safrinha, a segurança no suprimento de nitrogenados é fundamental. O monitoramento das tensões continua, mas o foco do mercado permanece voltado para os fundamentos de oferta das potências energéticas do Oriente Médio e do Leste Europeu.