Após mais de duas décadas de discussões, os embaixadores dos 27 países-membros da União Europeia deram um sinal verde provisório para a assinatura do acordo de livre comércio com o Mercosul. A aprovação representa um avanço significativo para o que será o maior pacto comercial já firmado pelo bloco europeu em volume de redução tarifária.
A Comissão Europeia, juntamente com países como Alemanha e Espanha, defende o acordo como uma medida para abrir novos mercados. A iniciativa busca compensar perdas comerciais e reduzir a dependência da China, garantindo o acesso a minerais essenciais.
A oposição é liderada pela França, maior produtor agrícola da UE. O setor teme um aumento na importação de produtos como carne bovina, aves e açúcar a preços mais baixos, o que poderia prejudicar os agricultores europeus. Nas últimas semanas, produtores rurais realizaram protestos em diversos países, incluindo bloqueios de rodovias na França e na Bélgica.
Para a aprovação, era necessário o voto favorável de pelo menos 15 países, representando 65% da população do bloco, meta que foi atingida na votação desta sexta. A mudança de posição da Itália, que passou de um "não" em dezembro para um "sim", foi um fator importante para o resultado, segundo um diplomata da UE.
Com a aprovação, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tem o caminho aberto para assinar o acordo com os parceiros do Mercosul – Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. A assinatura pode ocorrer já na próxima semana. O texto, no entanto, ainda precisará ser aprovado pelo Parlamento Europeu para entrar em vigor.
O acordo prevê a remoção de 4 bilhões de euros em impostos sobre as exportações europeias. Atualmente, os países do Mercosul aplicam tarifas de até 35% sobre peças de automóveis e 27% sobre vinhos, por exemplo. O comércio de bens entre os dois blocos somou 111 bilhões de euros em 2024.
Para obter apoio, a Comissão Europeia implementou salvaguardas que permitem a suspensão de importações de produtos agrícolas sensíveis e fortaleceu os controles de importação, especialmente sobre resíduos de pesticidas. Mesmo com as concessões, França e Polônia mantiveram a oposição. A ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, afirmou que a batalha não terminou e que lutará pela rejeição no Parlamento da UE.
Bernd Lange, presidente do Comitê de Comércio do Parlamento Europeu, expressou confiança na aprovação do acordo, com uma votação final prevista para abril ou maio.