Além da carne: Mato Grosso lucra com venda de pênis bovino para a Ásia
Publicado em 13/01/2026 06h00

Além da carne: Mato Grosso lucra com venda de pênis bovino para a Ásia

A pecuária de Mato Grosso está ampliando sua rentabilidade com a exportação de vergalho bovino para a Ásia, onde a tonelada alcança até US$ 6 mil.
Por: Redação

A eficiência da pecuária de Mato Grosso tem avançado para além dos cortes nobres, focando no aproveitamento integral do animal para maximizar o faturamento por carcaça. Nos últimos anos, a comercialização de subprodutos ganhou relevância estratégica, com destaque para o vergalho (pênis bovino). O produto, antes com pouco valor comercial no Ocidente, tornou-se um item de exportação valorizado, especialmente no mercado asiático.

A destinação desses subprodutos contribui para a sustentabilidade econômica da cadeia produtiva, permitindo que as indústrias diluam custos e aumentem a margem de lucro. No mercado interno brasileiro, o quilo do vergalho é comercializado, em média, por R$ 21. No entanto, é no comércio internacional que o item ganha fôlego financeiro, com Hong Kong figurando como um dos principais compradores globais.

O valor da tonelada do vergalho em Hong Kong pode chegar a US$ 6 mil, sendo exportado majoritariamente na forma in natura. O processo exige o cumprimento de rigorosos protocolos sanitários, garantindo que o subproduto mantenha as características exigidas pelos consumidores internacionais. A regularidade dos embarques confirma que não se trata de uma oportunidade pontual, mas de um mercado consolidado.

"A comercialização do vergalho in natura é contínua, com volume médio mensal entre quatro e cinco toneladas", afirma o gerente de marketing da SulBeef, Alan Gutierrez.

Na culinária asiática, o vergalho é apreciado em preparações cozidas e ensopados, sendo valorizado pela sua textura única e capacidade de absorver sabores. Essa tradição de consumo integral do bovino abre portas para que o Brasil exporte partes que possuem baixa demanda interna, como miúdos e outras vísceras, transformando o que poderia ser resíduo em divisa externa.

O Instituto Mato-grossense da Carne (Imac) aponta que essa capacidade de acessar nichos específicos demonstra o nível de organização da pecuária estadual. Ao atender mercados com diferentes perfis culturais, Mato Grosso reduz a dependência exclusiva dos cortes tradicionais e fortalece sua posição competitiva. A estratégia de portfólio amplo permite que o setor suporte melhor as variações de preços globais.

A robustez da pecuária mato-grossense é evidenciada pela agilidade das indústrias em obter autorizações para esses subprodutos. Segundo o Imac, o estado está alinhado às exigências internacionais mais complexas, o que assegura a fluidez das vendas. Agregar valor em todas as etapas da desossa é um passo fundamental para manter Mato Grosso como o principal player da pecuária de corte nacional.

O aproveitamento total do animal reflete uma tendência mundial de redução de desperdícios e busca por eficiência máxima. Para o produtor, o fortalecimento desse mercado de subprodutos reflete, indiretamente, na sustentação dos preços do boi gordo nas unidades frigoríficas. A diversificação de destinos e de produtos é, hoje, a principal ferramenta de mitigação de riscos e de expansão do agronegócio regional.