O agronegócio de Santa Catarina entra em uma nova fase comercial com a assinatura do tratado entre o Mercosul e a União Europeia, agendada para este sábado, 17 de janeiro. O documento estabelece a eliminação gradual de tarifas e a simplificação de trâmites aduaneiros, criando um ambiente de maior transparência e reconhecimento de certificações. Para o estado, o acordo é estratégico para consolidar a presença de produtos de alto valor agregado no mercado europeu.
Santa Catarina chega a este momento com indicadores robustos. Em 2025, as exportações do setor para o bloco europeu atingiram US$ 765 milhões, um avanço de 15,4% em relação ao ano anterior. O movimento reflete o esforço de diversificação de mercados, intensificado após a elevação de tarifas impostas ao comércio com os Estados Unidos ao longo do último ano, tornando a Europa um destino prioritário para o escoamento da produção.
Apesar do otimismo, o processo de implementação exige cautela técnica. Segundo analistas da Epagri/Cepa, o acordo ainda depende da ratificação pelos parlamentos nacionais dos países envolvidos, um trâmite que pode levar até sete meses. A expectativa é que os efeitos práticos estruturais sejam percebidos a partir do segundo semestre de 2027, embora exista a possibilidade de aplicação provisória de reduções tarifárias nas próximas semanas.
“Os primeiros efeitos práticos devem ser percebidos apenas a partir de 2027. É fundamental o acompanhamento técnico para identificar benefícios e riscos no longo prazo”, avalia Roberth Andres Villazon Montalvan, analista da Epagri/Cepa.
A carne de frango e seus derivados lideram a pauta exportadora catarinense para a União Europeia, somando US$ 335,7 milhões em 2025. Outros setores que apresentam forte desempenho são os de madeira e obras de madeira, tabaco e móveis. Entre os principais parceiros comerciais do estado no bloco destacam-se Países Baixos, Bélgica e Alemanha, mercados que priorizam a qualidade e a sustentabilidade dos processos produtivos.
Um ponto de atenção para os produtores locais são as barreiras não tarifárias. Exigências técnicas e sanitárias rigorosas, como as aplicadas ao mercado de mel, continuam sendo um desafio para o acesso pleno ao bloco. Além disso, o setor de alimentos processados — incluindo massas, chocolates e bebidas — deve enfrentar um aumento da concorrência interna com a entrada facilitada de produtos europeus de alto valor agregado.
No fluxo inverso, as importações catarinenses vindas da União Europeia também cresceram, somando US$ 941 milhões no último ano. A pauta é composta majoritariamente por bebidas alcoólicas, derivados de cacau, azeites e carnes suínas processadas. Essa via de mão dupla reforça a integração entre as economias e pressiona a indústria catarinense a buscar excelência para manter a competitividade diante dos itens importados.
O avanço do acordo institucionaliza uma nova dinâmica para o agronegócio catarinense. O foco do estado agora se volta para os ajustes regulatórios necessários para cumprir as normas de origem e transparência exigidas pelo tratado. Com a consolidação deste mercado, Santa Catarina fortalece sua posição como um dos parceiros mais relevantes da União Europeia no setor agroalimentar brasileiro, garantindo previsibilidade para as safras futuras.