Área de sorgo em Mato Grosso do Sul cresce 7.700% em apenas cinco safras
Publicado em 14/01/2026 12h07

Área de sorgo em Mato Grosso do Sul cresce 7.700% em apenas cinco safras

A área de sorgo em Mato Grosso do Sul saltou de 5 mil para 400 mil hectares em cinco safras, impulsionada pela demanda das usinas de etanol de milho.
Por: Redação

O sorgo deixou de ser uma cultura secundária para se tornar um pilar estratégico da segunda safra em Mato Grosso do Sul. Em um intervalo de apenas cinco safras, a área cultivada no estado saltou de pouco mais de 5 mil hectares para aproximadamente 400 mil hectares, um crescimento exponencial superior a 7.700%. Os dados são do Sistema de Informações Geográficas do Agronegócio (SIGA), gerido pela Semadesc em parceria com a Aprosoja/MS.

Esse avanço vertiginoso não é fruto do acaso, mas de uma mudança estrutural no mercado consumidor. O fator determinante para a consolidação da cultura é a demanda crescente das usinas de etanol de milho (etanol de cereais) instaladas no estado. A indústria passou a firmar contratos de compra antecipada, garantindo ao produtor rural a previsibilidade de preço e a segurança econômica que faltavam em anos anteriores.

Para a gestão estadual, o sorgo agora integra o planejamento econômico das propriedades, especialmente em áreas onde a janela de plantio após a soja é mais curta. Por ser uma cultura reconhecidamente mais resistente ao estresse hídrico e a adversidades climáticas do que o milho, o sorgo funciona como uma ferramenta eficiente de gestão de risco, reduzindo a probabilidade de perdas financeiras em anos de seca.

“Embora o sorgo sempre tenha sido conhecido pelo produtor, sua expansão era limitada pela falta de demanda estruturada. Isso mudou quando as indústrias passaram a firmar contratos”, afirma o secretário da Semadesc, Jaime Verruck.

O mapeamento do SIGA revela que o cultivo está concentrado. Na safra 2024/2025, cerca de metade da área total de sorgo no estado localizou-se em dez municípios. Ponta Porã e Maracaju lideram o ranking, seguidos por Bonito, Bela Vista e Sidrolândia. Essas regiões utilizam o sorgo para ocupar áreas marginais ou campos onde o milho teria maior dificuldade de desenvolvimento devido ao calendário agrícola.

Além da resistência climática, o sorgo apresenta vantagens sanitárias e operacionais. A entrada das usinas de álcool de cereais eliminou entraves históricos de armazenagem e escoamento. Com o mercado garantido, o produtor sente-se seguro para investir em tecnologia e sementes de alto desempenho, elevando a produtividade média por hectare e otimizando o uso do solo durante a safrinha.

No cenário nacional, Mato Grosso do Sul caminha para consolidar sua posição entre os maiores players. Projeções da Conab indicam que o Brasil deve colher mais de 6,6 milhões de toneladas de sorgo na safra 2025/2026, com o estado ocupando a quarta posição no ranking de produção. O modelo sul-mato-grossense de integração entre produção de grãos e bioenergia serve de referência para a descarbonização da matriz energética.

O fortalecimento da cadeia do sorgo demonstra que a existência de uma demanda industrial sólida é capaz de transformar o perfil produtivo de uma região. Ao integrar a produção agrícola com a geração de bioenergia e a fabricação de rações (DDG), Mato Grosso do Sul amplia sua resiliência econômica. O sorgo, agora, é peça definitiva no tabuleiro do agronegócio estadual, unindo sustentabilidade, eficiência e lucro.