Milho vira insumo estratégico e impulsiona produção de etanol no Brasil
Publicado em 15/01/2026 08h25

Milho vira insumo estratégico e impulsiona produção de etanol no Brasil

O consumo interno de milho no Brasil deve crescer 7,8% na safra 2025/26, impulsionado pela expansão das usinas de etanol que utilizam o grão como matéria-prima.
Por: Redação

O milho está redesenhando seu papel na economia brasileira, deixando de ser visto apenas como base para a alimentação animal para se tornar um insumo vital do setor energético. De acordo com os dados mais recentes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o consumo interno do cereal deve atingir a marca histórica de 90,56 milhões de toneladas no ciclo 2025/26. Este crescimento de 7,8% em relação à safra anterior é um reflexo direto da maturidade da indústria de biocombustíveis no país.

A utilização do grão para a fabricação de etanol tem ganhado um protagonismo inédito, especialmente no Centro-Oeste. Estados como Mato Grosso e Goiás lideram esse movimento com a operação de usinas de grande porte dedicadas exclusivamente ao processamento do cereal ou em sistemas flex (cana e milho). A regularidade na oferta do grão e a viabilidade logística em regiões de Cerrado tornam o milho uma alternativa estratégica e complementar à cana-de-açúcar.

Este novo cenário transforma o milho em um vetor de inovação na matriz energética nacional. Diferente da cana, que possui uma janela de colheita específica, o milho pode ser armazenado e processado durante todo o ano, garantindo uma produção contínua de etanol e de subprodutos de alto valor proteico, como o DDG (grãos de destilaria secos), utilizados na nutrição de bovinos.

"A demanda crescente por fontes renováveis, somada à competitividade do produto brasileiro, consolida o etanol de milho como um segmento promissor da agroenergia", aponta a análise da Conab.

Além de fortalecer o mercado doméstico, o milho brasileiro mantém sua força no comércio exterior. A estimativa é de que as exportações alcancem 41,5 milhões de toneladas neste ciclo. O equilíbrio entre o abastecimento das usinas de biocombustíveis e os embarques internacionais demonstra a capacidade do produtor brasileiro em atender demandas distintas, agregando valor à commodity dentro das fronteiras nacionais antes da exportação.

A aposta no milho para energia também responde a compromissos ambientais globais. O biocombustível derivado do cereal possui uma pegada de carbono competitiva e contribui para a descarbonização do setor de transportes. Com o avanço das tecnologias de fermentação e a instalação de novas unidades industriais, a tendência é que o milho ocupe uma fatia cada vez maior da produção total de combustíveis renováveis no Brasil.

O fortalecimento desse ecossistema industrial gera um ciclo virtuoso para o agronegócio: garante preços mais estáveis ao produtor rural, reduz a dependência de variações bruscas no mercado internacional e promove o desenvolvimento regional. O milho brasileiro, portanto, entra em 2026 não apenas como um grão, mas como uma peça fundamental da segurança energética e econômica do país.