Usinas de etanol sustentam preços do milho no Brasil em janeiro
Publicado em 16/01/2026 17h15

Usinas de etanol sustentam preços do milho no Brasil em janeiro

O relatório de janeiro do USDA elevou a produção de milho nos EUA para 432,4 milhões de toneladas, gerando pressão de baixa nas cotações mundiais.
Por: Wisley Torales

O mercado mundial de milho encerrou o último mês de 2025 com valorização, mas o cenário mudou no início de 2026. Na Bolsa de Chicago (CBOT), o cereal registrou a quarta alta mensal seguida em dezembro, com avanço de 2,2%. Esse movimento levou as cotações para USD 4,40 por bushel, sustentado pela competitividade do produto norte-americano. 

A forte procura externa pelo milho dos Estados Unidos manteve os preços elevados no fim do ano. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estima um crescimento de 12% nos embarques do país na temporada 2025/26. O volume total deve atingir 81,3 milhões de toneladas, superando os ciclos anteriores de comercialização internacional. 

A estabilidade marcou a primeira quinzena de janeiro de 2026 tanto no exterior quanto no Brasil. O relatório mensal do USDA, divulgado recentemente, consolidou um viés negativo para as cotações no curto prazo. A confirmação de uma safra recorde nos Estados Unidos alterou as expectativas dos agentes financeiros e das agroindústrias. 

A produção norte-americana de milho foi revisada para cima, alcançando 432,4 milhões de toneladas em janeiro. Esse número supera a estimativa anterior de 425,5 milhões de toneladas. A produtividade média nas lavouras dos Estados Unidos atingiu a marca histórica de 11,7 toneladas por hectare na safra 2025/26. 

O aumento na oferta gerou um impacto direto nos estoques de passagem dos Estados Unidos. O volume armazenado avançou 9,8%, chegando a 56,6 milhões de toneladas. Trata-se do terceiro maior estoque da série histórica do país. Esse balanço folgado entre oferta e demanda retira o suporte para novos avanços nos preços. 

No mercado brasileiro, o milho apresentou valorização de 3,7% na praça de Sorriso, no Mato Grosso, durante dezembro. A saca foi cotada a R$ 51,60, refletindo a procura constante das usinas de etanol. A comercialização mais lenta por parte dos produtores contribuiu para o suporte das cotações internas no período. 

As indústrias de biocombustíveis continuam como o principal pilar de sustentação dos preços no Brasil.  O interesse dessas usinas pelo cereal compensa, em parte, o ritmo de exportação menos agressivo. No início de janeiro, os valores praticados no mercado doméstico permaneceram estáveis, acompanhando a tendência observada na Bolsa de Chicago. 

O desenvolvimento da primeira safra de milho no Brasil segue em ritmo positivo na maioria das regiões. As chuvas registradas em dezembro permitiram a recuperação de lavouras que enfrentaram estresse hídrico em Minas Gerais. No Rio Grande do Sul, o início da colheita aponta para bons índices de rendimento por hectare. 

As precipitações deste mês de janeiro são determinantes para consolidar a produção nacional. Aproximadamente metade das áreas plantadas com a primeira safra encontra-se em fase reprodutiva. Lavouras em Goiás e na região do Matopiba reagiram de forma favorável ao retorno da umidade nos solos após períodos de calor intenso. 

A consultoria agro do Itaú BBA destaca que a janela de plantio da segunda safra exige atenção redobrada. No Mato Grosso, Paraná e Mato Grosso do Sul, a aquisição de fertilizantes está alinhada com as médias históricas. Essa antecipação sugere um cronograma de cultivo estável nessas importantes fronteiras agrícolas.

O cenário é diferente em Goiás, São Paulo e Minas Gerais, onde a compra de insumos para a safrinha está atrasada. O plantio tardio da soja nestas regiões encurtou a janela ideal para o milho. A decisão de cultivo dependerá diretamente das condições meteorológicas e da viabilidade económica das margens de lucro dos produtores. 

A China também revisou os seus números de produção para a safra 2025/26. O governo local estima uma colheita de 301,2 milhões de toneladas de milho. Apesar do aumento na oferta interna, o USDA manteve a projecção de importação chinesa em 8 milhões de toneladas, mantendo o país como comprador relevante no tabuleiro global.

O aumento da oferta global de grãos trouxe maior equilíbrio ao quadro de oferta e demanda. O estoque mundial de passagem foi elevado, embora ainda permaneça abaixo dos volumes registrados na temporada passada. Esse ajuste consolida o cenário de pressão sobre as margens das agroindústrias e exige estratégias de proteção de preços. 

Os modelos climáticos indicam continuidade de chuvas frequentes em grande parte das regiões produtoras brasileiras. Um corredor de umidade entre o Norte e o Sudeste garante a reposição hídrica dos solos. Essa regularidade beneficia o desenvolvimento vegetativo, mas pode gerar dificuldades operacionais para a entrada de máquinas no campo. 

A manutenção do padrão úmido até fevereiro pode dificultar os trabalhos de colheita da soja e o plantio subsequente do milho. No centro-norte do país, o risco de invernadas é monitorado com cuidado pelos agricultores. No Sul e no Sudeste, as previsões apontam aberturas de sol suficientes para o andamento dos serviços mecanizados. 

O equilíbrio global foi impactado pela produtividade recorde nos campos norte-americanos. O rendimento médio de 11,7 toneladas por hectare compensou as variações em outras origens. Esse resultado estabelece um viés baixista, forçando produtores e compradores a ajustarem as suas posições financeiras diante de um mercado com maior excedente. 

A comercialização do milho brasileiro para o mercado externo enfrenta a forte concorrência do produto dos Estados Unidos. A competitividade norte-americana reduziu o espaço para altas nas cotações internacionais. As previsões para a safrinha 2026 em Goiás dependem da evolução da colheita da soja e da disponibilidade de umidade no solo durante o mês de fevereiro.