
O mercado do boi gordo encerrou o último mês de 2025 apresentando uma movimentação de estabilidade nas principais praças pecuárias do país. O indicador CEPEA/B3 registrou uma leve variação negativa de 0,4% em dezembro, fechando o período cotado a R$ 312,65 por arroba. Esse comportamento reflete o equilíbrio entre a oferta de animais terminados e a demanda das indústrias frigoríficas para o atendimento das festas de final de ano.
Na primeira quinzena de janeiro de 2026, o cenário de calmaria persistiu. As escalas de abate das indústrias mantiveram-se confortáveis, com média nacional de dez dias. Essa folga na programação das plantas abate retirou a pressão de compra sobre o mercado físico, sustentando as cotações em patamares próximos aos observados no fechamento do ano anterior, sem grandes sobressaltos para produtores ou frigoríficos.
A análise do ciclo pecuário indica uma transição importante para este ano. Após um período de intenso descarte de fêmeas observado entre 2023 e 2024, os dados de campo sugerem um início de retenção de matrizes por parte dos pecuaristas. Esse movimento reduz a oferta total de animais para abate no curto prazo, mas sinaliza uma recomposição futura do rebanho nacional e uma possível valorização dos animais de reposição.
Dados de Abate e Oferta: Participação de fêmeas no abate total em 2025: 42%. Estimativa de retenção de matrizes para 2026: crescimento de 5% na retenção.
Um fator que contribui diretamente para a rentabilidade da atividade em 2026 é o recuo nos custos de produção. A queda nos preços do milho e do farelo de soja, principais componentes da dieta em sistemas de confinamento e semiconfinamento, melhorou a relação de troca para o pecuarista. O custo da nutrição apresenta uma redução média de 12% em comparação ao mesmo período de 2025, estimulando o uso de suplementação.
O setor exportador brasileiro vive um momento de pujança absoluta. O balanço final de 2025 confirmou que o Brasil enviou ao exterior 2,54 milhões de toneladas de carne bovina, estabelecendo um novo recorde histórico para o país. O faturamento total das vendas externas atingiu US$ 11,8 bilhões, consolidando a proteína nacional como uma das mais competitivas e demandadas no tabuleiro do comércio global.
A China continua exercendo um papel central na dinâmica de preços e embarques da pecuária brasileira. No acumulado de 2025, os chineses absorveram 45% do volume total exportado pelo Brasil. A habilitação de novas plantas frigoríficas ao longo do último ano ampliou a capilaridade das vendas externas, permitindo que estados com rebanhos expressivos de Nelore branco e cinza aumentassem sua participação nos embarques.
Ranking de Exportações 2025:
China: 1,14 milhão de toneladas.
Estados Unidos: 185 mil toneladas.
Emirados Árabes: 142 mil toneladas.
No mercado interno, o consumo de carne bovina apresentou sinais de recuperação, favorecido pela estabilidade dos preços no varejo e pela melhora nos indicadores de renda da população. A substituição por proteínas concorrentes, como frango e suíno, diminuiu o ritmo em comparação aos anos de preços recordes da arroba, permitindo que os cortes de dianteiro e traseiro mantivessem um escoamento fluido nas gôndolas.
A relação de troca entre o boi gordo e o bezerro também mostrou sinais de melhora para o invernista. Com a estabilização dos preços do boi acabado em patamares acima de R$ 310,00, a compra da reposição tornou-se mais atrativa, especialmente com a maior oferta de animais de desmama prevista para o primeiro semestre de 2026. Esse equilíbrio é fundamental para a manutenção das margens operacionais da cria e recorda-engorda.
As perspectivas para o mercado futuro na B3 indicam que os investidores e pecuaristas trabalham com uma expectativa de preços sustentados para os contratos de curto e médio prazo. As posições para maio e outubro de 2026 oscilam entre R$ 315,00 e R$ 325,00, refletindo a confiança na manutenção da demanda externa e no controle da oferta de animais de pasto após o período de águas.
As exigências internacionais relacionadas à sustentabilidade e rastreabilidade continuam sendo um ponto de atenção para os produtores. A implementação de protocolos de monitoramento socioambiental tornou-se uma ferramenta de acesso a mercados premium, como a União Europeia, que exige garantias de origem para cortes taurinos e cruzamentos industriais. No Brasil Central, o foco permanece na eficiência produtiva de linhagens de Nelore esfumaçado para o mercado asiático.
A indústria frigorífica manteve suas margens operacionais equilibradas no final de 2025, beneficiando-se do spread estável entre o preço da arroba e o valor da carne com osso no atacado. O aumento da utilização da capacidade instalada nas unidades de abate reduziu os custos fixos por cabeça, permitindo que as empresas mantivessem uma postura ativa na compra de lotes de animais terminados, mesmo com as escalas alongadas.
O uso de tecnologia no manejo de pastagens e na sanidade do rebanho apresenta-se como a principal estratégia de mitigação de riscos climáticos. A adoção de sistemas integrados e a recuperação de solos degradados permitiram que o pecuarista brasileiro mantivesse o peso dos animais mesmo em períodos de veranicos pontuais. A sanidade animal, com foco na manutenção do status de livre de aftosa com vacinação, garante a fluidez operacional.
As previsões meteorológicas para o primeiro trimestre de 2026 apontam para chuvas dentro da média histórica na maioria das regiões produtoras, garantindo a boa oferta de forragem. Essa condição climática favorável permite que o pecuarista tenha maior poder de barganha, podendo reter os animais no pasto por mais tempo caso as ofertas dos frigoríficos não atendam às suas expectativas de preço mínimo.