Exportações de carne suína devem atingir recorde de 1,3 milhão de toneladas
Publicado em 16/01/2026 17h21

Exportações de carne suína devem atingir recorde de 1,3 milhão de toneladas

A suinocultura brasileira inicia 2026 em expansão, com projeção de recorde nas exportações e custos de produção em queda, aponta o relatório do Itaú BBA.
Por: Wisley Torales

O setor de suinocultura no Brasil entra em 2026 sob uma atmosfera de otimismo produtivo e comercial. Após um período de ajustes estruturais e desafios nos custos de produção, as perspectivas atuais indicam o início de um novo ciclo de avanço. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta que o Brasil manterá um ritmo de crescimento superior à média mundial, consolidando sua relevância no mercado global de proteínas.

A produção nacional de carne suína deve alcançar a marca de 5,6 milhões de toneladas neste ciclo, representando um aumento de aproximadamente 2,2% em relação ao ano anterior. Esse desempenho é sustentado pela eficiência técnica das granjas e pela estabilização do plantel de matrizes. O país ocupa atualmente o posto de quarto maior produtor mundial, atrás apenas de China, União Europeia e Estados Unidos.

O mercado externo permanece como o principal motor para o escoamento do excedente de produção. As estimativas apontam que o Brasil deve exportar cerca de 1,3 milhão de toneladas em 2026. Esse volume representa um novo recorde para a balança comercial brasileira, demonstrando a confiança dos compradores internacionais na qualidade e na sanidade do produto nacional.

Projeções de Mercado 2026: Produção Nacional: 5,6 milhões de toneladas (+2,2%) Exportações Estimadas: 1,3 milhão de toneladas Participação das Exportações na Produção: 23%

A rentabilidade do suinocultor encontra suporte direto na redução dos custos operacionais. Como o milho e o farelo de soja compõem a maior parte do custo de nutrição, a confirmação de safras recordes desses grãos na América do Sul favorece o setor. A disponibilidade interna de insumos permite que as margens de lucro sejam restabelecidas após anos de pressão inflacionária nos alimentos para os animais.

A queda nos preços do milho no início deste ano proporcionou uma melhora significativa na relação de troca para o produtor. Esse cenário estimula o alojamento de animais e investimentos em modernização das estruturas produtivas. A tendência de estabilidade nos preços das commodities agrícolas no curto prazo oferece a previsibilidade necessária para o planejamento estratégico das agroindústrias.

No cenário internacional, a China continua sendo o destino fundamental para os embarques brasileiros. Apesar da recuperação gradual do rebanho chinês após crises sanitárias passadas, o país asiático mantém uma demanda externa robusta para garantir o abastecimento de sua população. O Brasil aproveita a menor competitividade de produtores europeus, que enfrentam custos elevados de energia e restrições ambientais.

Principais Destinos da Carne Suína (2025):

  1. China: 35% do volume total

  2. Filipinas: 15% do volume total

  3. Hong Kong: 10% do volume total

Além da China, o setor observa com atenção a abertura e a ampliação de mercados como o Japão, a Coreia do Sul e as Filipinas. A diversificação de destinos é uma estratégia determinante para reduzir a dependência de um único comprador. A habilitação de novas plantas frigoríficas brasileiras para mercados premium tem elevado o valor agregado dos cortes exportados.

No mercado doméstico, a carne suína demonstra uma trajetória de consolidação na preferência do consumidor brasileiro. O consumo per capita deve ultrapassar a marca de 20 quilos por habitante em 2026. A percepção de saudabilidade, versatilidade no preparo e, principalmente, o preço competitivo em relação à carne bovina, sustentam a demanda interna aquecida.

A indústria de processados também apresenta resultados positivos. O aumento da procura por itens como linguiças, presuntos e cortes temperados garante a fluidez das vendas no varejo. As campanhas de marketing voltadas para a desmitificação da carne suína têm sido eficientes em atrair novos perfis de consumidores, especialmente nos centros urbanos.

O status sanitário do Brasil é um diferencial competitivo que protege o setor de choques externos. A manutenção de zonas livres de Peste Suína Clássica e o monitoramento rigoroso contra a Peste Suína Africana (PSA) asseguram a continuidade dos embarques. O investimento em biosseguridade nas granjas comerciais é um protocolo estabelecido que minimiza riscos de perdas produtivas em larga escala.

O equilíbrio entre a oferta interna e a demanda externa será o fiel da balança para os preços em 2026. As agroindústrias integradoras mantêm um ritmo de abate alinhado com a capacidade de absorção do mercado, evitando sobreofertas que poderiam pressionar as cotações do suíno vivo. A tendência é de preços sustentados ao longo do primeiro semestre.

A sustentabilidade tornou-se um requisito para o acesso a financiamentos e mercados de exportação. O uso de biodigestores para o tratamento de dejetos e a geração de energia limpa nas propriedades são práticas que ganham escala. Esses indicadores de ESG (Ambiental, Social e Governança) fortalecem a imagem da suinocultura brasileira como uma atividade moderna e responsável.

A logística de transporte e armazenamento refrigerado continua recebendo investimentos para suportar o crescimento dos volumes. A expansão da capacidade de congelamento nos portos e a melhoria na malha rodoviária são pontos acompanhados pelas associações setoriais. A eficiência logística é um componente fundamental para manter a competitividade do preço do produto brasileiro no porto de destino.

O balanço final do ano passado ratificou a força do setor, com faturamento em Dólares apresentando crescimento consistente. O câmbio em patamares elevados favorece a receita das empresas exportadoras, permitindo a distribuição de resultados ao longo da cadeia produtiva. A expectativa é que esse fluxo de capital continue alimentando a inovação tecnológica no campo.

A sanidade animal permanece como a barreira técnica mais importante no comércio global de proteínas. O compromisso do governo e da iniciativa privada em manter protocolos de vigilância ativos é o que permite ao Brasil disputar espaços com grandes blocos econômicos. A suinocultura brasileira encerra o primeiro mês do ano com indicadores que apontam para um dos melhores desempenhos da década.