O Dia Mundial do Queijo, celebrado em 20 de janeiro, destaca a relevância da produção queijeira na Bahia. O estado, um dos mais antigos produtores do Brasil, tem sua tradição iniciada com os colonizadores europeus no século XVI e hoje coleciona prêmios nacionais e internacionais pela qualidade de seus produtos.
A produção leiteira baiana, que alcançou 1,3 bilhão de litros em 2024, serve como base para uma indústria diversificada. Segundo a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri), a variedade de biomas do estado, como Mata Atlântica, Caatinga e Cerrado, permite a fabricação de múltiplos tipos de queijo, desde os tradicionais requeijão e coalho até produtos com ingredientes regionais, como umbu, araçá e licuri.
Para Paulo Emílio Torres, assessor técnico da Seagri, o cenário demonstra a importância da cadeia do leite para a economia. “O dado evidencia a capilaridade da atividade leiteira e o papel estratégico da agroindustrialização formal do leite e de seus derivados, especialmente do queijo, como instrumento de agregação de valor e geração de renda”, afirma.
O estado conta com 185 agroindústrias de beneficiamento de leite e derivados, sendo este o segmento mais numeroso do setor. Torres aponta que a maioria desses empreendimentos opera sob o Serviço de Inspeção Estadual (SIE), o que assegura a qualidade e a segurança alimentar dos produtos que chegam ao consumidor.
A história do queijo no Brasil está diretamente ligada à Bahia. A introdução de vacas leiteiras no território ocorreu no século XVI, com a chegada de Tomé de Sousa. Os animais, vindos de Cabo Verde, garantiram o abastecimento de leite para os colonos e, com a expansão da pecuária, a fabricação de queijo se tornou uma solução para a conservação do excedente.
A origem do alimento remonta a um processo acidental, quando pastores antigos transportavam leite em recipientes feitos de estômago de animais, o que promovia a coagulação. Com o tempo, a técnica foi aprimorada, resultando em uma imensa variedade de queijos pelo mundo, influenciada por fatores culturais e territoriais.
Um exemplo da exclusividade no setor é o queijo Pule, da Sérvia, feito com leite de jumentas da raça Balkan. A baixa produtividade dos animais eleva seu valor de mercado, que pode ultrapassar 5 mil euros por quilo.
Atualmente, o queijo é produzido em todas as regiões do Brasil e ocupa uma posição central na dieta da população, seja consumido diretamente ou como ingrediente em diversas receitas.