INMET emite alerta para temperaturas 8°C acima da média no MS
Publicado em 23/01/2026 18h33

INMET emite alerta para temperaturas 8°C acima da média no MS

O INMET alerta para uma onda de calor intenso no Sul e Mato Grosso do Sul entre 24 e 28 de janeiro, com temperaturas atingindo 39°C e baixa umidade.
Por: Redação

A reta final de janeiro reserva um cenário climático desafiador para os produtores rurais do Sul do país e do Mato Grosso do Sul. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), um sistema de alta pressão atmosférica passará a atuar com força a partir deste sábado (24), impedindo a formação de nuvens e bloqueando a ocorrência de chuvas. O resultado é um aquecimento atmosférico acelerado que deve levar os termômetros a marcas muito acima da média histórica para o período.

Este bloqueio atmosférico favorece o predomínio de tempo seco e ensolarado, o que amplia o desconforto térmico e os riscos operacionais no campo. No Rio Grande do Sul, a situação é mais crítica na fronteira oeste. Municípios como Uruguaiana, São Borja e Alegrete devem registrar máximas superiores aos 38°C. Considerando que a média para o mês na região oscila entre 31°C e 33°C, o desvio térmico pode chegar a 6°C, configurando uma situação de calor extremo.

Santa Catarina também sentirá os efeitos desta massa de ar seco, especialmente na porção centro-oeste do estado. Cidades como Chapecó e São Miguel do Oeste têm previsão de máximas entre 35°C e 36°C por pelo menos quatro dias consecutivos. O impacto é direto para o produtor catarinense, uma vez que a média histórica local é de 30°C, evidenciando um aumento repentino que pode afetar o desenvolvimento das lavouras de verão.

Projeções de Temperatura Máxima: Mato Grosso do Sul: até 39°C (Dourados e Corumbá). Rio Grande do Sul: até 38°C (Uruguaiana e São Borja). Paraná e Santa Catarina: entre 34°C e 36°C.

No Paraná, o calor será mais acentuado nas regiões oeste e sudoeste. Municípios como Cascavel e Pato Branco podem atingir os 36°C, patamar 5°C acima do normal para janeiro. O Mato Grosso do Sul, no entanto, deve registrar os picos mais elevados de temperatura em todo o Centro-Oeste. No domingo (25), cidades como Dourados, Ponta Porã e Corumbá podem chegar aos 39°C, um desvio impressionante de 8°C em relação à média histórica estadual.

O prolongamento deste período de calor intenso e baixa umidade relativa do ar representa um fator de risco elevado para a produção agropecuária. O estresse térmico é uma preocupação imediata para a pecuária de corte e leite, podendo comprometer o ganho de peso e a produtividade dos animais. No caso da agricultura, as plantas em fase reprodutiva podem sofrer abortamento de flores e redução no enchimento de grãos devido à alta evapotranspiração.

Além dos danos fisiológicos às culturas, o cenário meteorológico eleva drasticamente o consumo de água nos sistemas de irrigação, pressionando as reservas hídricas das propriedades. Outro ponto de atenção destacado por especialistas é o aumento do risco de incêndios em áreas de vegetação seca e pastagens. A combinação de sol forte, ausência de chuva e vento seco cria o ambiente ideal para a propagação de focos de fogo.

Riscos para o Agro: Estresse térmico em rebanhos bovinos e aves. Aumento expressivo da evapotranspiração nas lavouras. Risco elevado de incêndios em vegetação e pastos secos.

As autoridades recomendam que os produtores intensifiquem o monitoramento da hidratação dos rebanhos e, se possível, evitem manejos estressantes nas horas de maior radiação solar. Nas lavouras, a atenção deve ser voltada para o balanço hídrico, priorizando a irrigação nos períodos noturnos ou no início da manhã para reduzir as perdas por evaporação. A previsão indica que o sistema de alta pressão deve começar a perder força apenas após o dia 28.

O monitoramento do INMET reforça que este padrão de bloqueio é comum em anos sob influência de fenômenos climáticos específicos, mas a intensidade desta onda de calor em 2026 chama a atenção pela amplitude térmica. O setor elétrico também monitora a situação, prevendo um aumento na demanda por refrigeração, o que pode impactar os custos operacionais em unidades de beneficiamento e armazenagem climatizada.

O produtor sul-mato-grossense, acostumado ao calor, deve ficar alerta para o pico previsto para este domingo. Em regiões como o Pantanal, a temperatura de 39°C associada à baixa umidade exige cuidados redobrados com a saúde dos trabalhadores rurais. A hidratação constante e o uso de proteção solar são indispensáveis para evitar casos de insolação e exaustão térmica durante as atividades de campo.

O cenário deve ser de estabilidade térmica apenas na virada para o mês de fevereiro, quando modelos meteorológicos sugerem o avanço de uma nova frente fria capaz de romper o bloqueio e trazer chuvas isoladas. Até lá, a estratégia de defesa do produtor deve ser a mitigação dos efeitos do calor extremo através de manejo cuidadoso e vigilância contra incêndios.