O cenário internacional de insumos agrícolas atravessa um período de intensas transformações em suas rotas comerciais e estratégias produtivas. Segundo levantamento da AMR Business Intelligence, o ano de 2025 foi marcado por volumes históricos de movimentação e mudanças nas políticas de subsídios e tarifas de grandes players globais. Esse redesenho da oferta e demanda reflete diretamente nos custos de produção das principais fronteiras agrícolas, incluindo o Brasil.
A China consolidou sua posição como fornecedor dominante ao registrar o maior volume de exportação de sulfato de amônio da história. Os embarques chineses atingiram a marca de 21,36 milhões de toneladas, um recorde absoluto para o setor. O Brasil reafirmou sua dependência externa ao liderar as compras desse insumo, essencial para o fornecimento de nitrogênio e enxofre às culturas de grãos e cana-de-açúcar em território nacional.
Na Índia, a dinâmica de importações também apresentou números expressivos. As compras externas de ureia deram um salto de 76% em 2025, totalizando 9,3 milhões de toneladas. Esse movimento acompanha a expansão recorde da área de trigo na safra Rabi 2025/26, que alcançou 33,41 milhões de hectares. Diante desse volume, a indústria indiana pressiona o governo por reformas no sistema de subsídios e cortes tarifários para o próximo orçamento.
Destaques do Fluxo Global: Exportações da China: 21,36 milhões de toneladas de sulfato de amônio. Importações da Índia: Crescimento de 76% na compra de ureia. Investimento no Oriente Médio: US$ 110 bilhões previstos pela Ma’aden.
No Oriente Médio, os movimentos indicam uma expansão agressiva da capacidade instalada. A gigante Ma’aden anunciou um plano de investimentos de US$ 110 bilhões com o objetivo de triplicar sua produção de fosfato. A estratégia visa consolidar o controle sobre a oferta global de nutrientes minerais de longo prazo, posicionando a região como um hub central para a segurança alimentar global.
O mercado brasileiro, por outro lado, enfrenta desafios operacionais. A Mosaic prorrogou por mais 30 dias a suspensão das atividades na produção de superfosfato simples. A decisão é motivada pela valorização acentuada dos preços do enxofre no mercado internacional. Simultaneamente, a Coreia do Sul, importante fornecedor dessa matéria-prima, registrou queda de 1,4% nas suas exportações de enxofre, somando 1,52 milhão de toneladas em 2025.
Em outras regiões, os ajustes de mercado revelam cenários mistos. A Malásia viu suas exportações de ureia crescerem 35% apenas em novembro, embora o balanço acumulado do ano apresente uma retração de 9,4%. No Reino Unido, a manutenção de tarifas antidumping sobre o nitrato de amônio de origem russa até 2030 sinaliza que as barreiras protecionistas e as tensões geopolíticas continuarão influenciando os fluxos comerciais de fertilizantes.
Situação no Paquistão e Oceania: Paquistão: Queda de 45% nas vendas de DAP em dezembro. Nova Zelândia: Planta de Kapuni assegura gás; Ballance amplia importações.
A retração no consumo também foi observada em mercados específicos, como o Paquistão, onde as vendas de fosfato diamônico (DAP) despencaram 45% em dezembro. Esse recuo está diretamente atrelado a uma redução de 22% na área semeada da safra Rabi local. Já na Nova Zelândia, a estratégia para atender à demanda interna passou pela ampliação das importações pela Ballance, enquanto a unidade de Kapuni garantiu o fornecimento de gás para operação apenas até março.
As flutuações nos preços e na disponibilidade desses insumos reforçam a necessidade de o produtor rural brasileiro adotar estratégias de antecipação e proteção de preços (hedge). A instabilidade na produção doméstica de fosfatados, somada à dependência das exportações recordes da China, mantém o custo do nutriente como uma das variáveis de maior peso no planejamento da safra 2026/27.
O equilíbrio do mercado global dependerá agora da velocidade com que novos investimentos, como os anunciados no Oriente Médio, entrarão em operação para compensar paralisações pontuais. A geopolítica das tarifas e subsídios, especialmente na Ásia e no Reino Unido, continuará a ditar o ritmo dos preços nas principais bolsas de commodities. O monitoramento constante desses fluxos é vital para garantir a competitividade do agronegócio nacional diante de um mercado de insumos em constante redesenho.