A conjuntura econômica recente trouxe um alívio no cenário externo, mas os desafios domésticos continuam no radar do mercado, criando um ambiente de cautela para o agronegócio. Segundo análise do Rabobank, a redução de tensões comerciais, após declarações do presidente americano Donald Trump, ajudou a melhorar o humor dos investidores globais.
No mercado cambial, o real apresentou um desempenho positivo. O dólar encerrou a semana passada cotado a R$ 5,3713, o que significou uma apreciação de 1,60% da moeda brasileira. Para o agronegócio, um dólar mais baixo pode reduzir o custo de insumos importados, como fertilizantes e defensivos, mas também diminui a receita em reais obtida com as exportações.
Apesar do movimento de queda, o Rabobank mantém sua projeção de que o dólar termine o ano cotado a R$ 5,60. A expectativa reflete o equilíbrio entre um cenário externo menos tenso e os riscos fiscais e políticos internos que ainda geram incertezas.
No campo da política monetária, a projeção é que o Federal Reserve (Fed), banco central americano, mantenha sua taxa de juros entre 3,50% e 3,75%. O elevado diferencial de juros em relação ao Brasil continua a atrair capital estrangeiro. O Investimento Direto no País (IDP) somou US$ 77,7 bilhões no ano, um fator que ajuda a sustentar a cotação do real.
Outros indicadores domésticos chamam a atenção. A arrecadação federal bateu recorde em dezembro, com R$ 292,8 bilhões, e no acumulado do ano, totalizando R$ 2,886,9 trilhões. O bom desempenho fiscal é positivo para a estabilidade econômica, mas o déficit em transações correntes, de US$ 68,8 bilhões no ano (cerca de 3,0% do PIB), permanece como um ponto de atenção para os analistas.