
O regime de precipitações em Mato Grosso do Sul no fechamento de 2025 foi marcado por uma distribuição estritamente irregular. De acordo com o Monitor de Secas elaborado pelo Cemtec/MS, a previsão dos meteorologistas para o verão se confirmou na prática. Dos 50 pontos de monitoramento espalhados pelo estado, 23 apresentaram registros de chuva inferiores à média histórica, enquanto 26 ficaram acima e apenas um ponto manteve a estabilidade.
Essa variação espacial extrema demonstra o desafio para o planejamento agrícola regional. O município de Mundo Novo, no extremo sul do estado, registrou o maior volume acumulado, atingindo 439 milímetros. Esse montante representa um avanço de 144% em relação à média climatológica do período. Em Campo Grande, os cinco pontos de monitoramento também ficaram acima da média, com variações entre 18% e 40% de excesso hídrico.
Inversamente, diversas regiões enfrentaram escassez severa de umidade. As menores quantidades de chuva, em comparação às médias históricas, foram observadas em Paranaíba (-58%), Paraíso das Águas (-48%), Cassilândia (-47%) e Chapadão do Sul (-47%). Municípios como Camapuã (-45%) e Corumbá (-40%) também fecharam o mês com balanço hídrico negativo, dificultando o desenvolvimento de pastagens e lavouras.
Extremos de Precipitação em Dezembro: Maior volume: Mundo Novo (439 mm / +144%). Menor volume relativo: Paranaíba (58% abaixo da média). Campo Grande: Médias entre 18% e 40% acima do normal.
Acompanhando a instabilidade das chuvas, o estado registrou uma grande amplitude térmica. A diferença entre a temperatura mínima e a máxima foi acentuada, com os termômetros oscilando entre 12,8°C e 39,8°C. A marca mais baixa ocorreu em Aral Moreira, no dia 17 de dezembro, enquanto o pico de calor foi registrado em Porto Murtinho logo no primeiro dia do mês, evidenciando o estresse térmico presente na região.
A coordenação do Cemtec/MS indica que a irregularidade na distribuição das chuvas deve persistir nos próximos meses. A análise do conjunto de modelos climáticos para o trimestre de fevereiro a abril sugere que o cenário de má distribuição se repetirá em grande parte do território sul-mato-grossense. No entanto, a expectativa geral é de que os volumes totais de chuva fiquem abaixo da média histórica.
Este prognóstico acende um alerta para os produtores que planejam a janela de plantio da segunda safra. A irregularidade hídrica pode comprometer o estabelecimento inicial das culturas e a reposição de água no solo. O monitoramento constante das previsões de curto prazo torna-se a principal ferramenta para o manejo de campo e para a mitigação de riscos climáticos durante o outono.
Prognóstico Fev-Abr/2026: Tendência: Manutenção da irregularidade na distribuição. Expectativa: Volumes totais de chuva abaixo da média histórica.
A variação térmica e hídrica observada em dezembro reforça a necessidade de estratégias de conservação de solo e uso de palhada para manter a umidade residual. Com o cenário previsto de chuvas abaixo da média para o início de 2026, o gerenciamento hídrico será determinante para sustentar o potencial produtivo das lavouras de verão e garantir a viabilidade econômica do ciclo atual.