Tecnologia de R$ 3,5 milhões gera faturamento extra no setor de cana
Publicado em 29/01/2026 14h15

Tecnologia de R$ 3,5 milhões gera faturamento extra no setor de cana

A adoção de inteligência artificial na moagem de cana-de-açúcar permitiu ajustes em tempo real, elevando a recuperação de açúcar e gerando faturamento milionário.
Por: Redação

O setor sucroenergético brasileiro registra um avanço significativo na modernização de seus processos industriais com a integração da inteligência artificial (IA). A tecnologia está modificando etapas tradicionais da produção, garantindo maior eficiência operacional e ganhos econômicos diretos. De acordo com informações do setor de processamento de dados do Mato Grosso, o uso de sistemas inteligentes possibilita o controle preciso da moagem, fase determinante para o aproveitamento da matéria-prima.

A inovação consiste na união de sensores de infravermelho próximo com algoritmos avançados que analisam a cana-de-açúcar continuamente durante o processamento. Diferente do método convencional, que depende de análises laboratoriais realizadas em intervalos de quatro horas, a IA monitora a operação segundo a segundo. Essa agilidade permite que a unidade industrial tome decisões imediatas e ajuste os parâmetros de extração com uma precisão impossível de ser alcançada manualmente.

Como a composição da cana apresenta variações constantes ao longo da colheita — oscilando nos teores de fibra, água e sacarose —, o sistema atua na calibragem automática das moendas. Essa adaptação em tempo real foca na recuperação do Açúcar Total Recuperável (ATR), utilizando a infraestrutura já instalada nas usinas. A facilidade de adaptação operacional é um dos pontos fortes da tecnologia, que otimiza recursos existentes.

Evolução e Investimento: Início dos testes: 2020. Implementação da regulagem automática: 2022. Investimento total (5 anos): R$ 3,5 milhões.

Os resultados financeiros validam a estratégia tecnológica. Na última safra, a aplicação do sistema proporcionou um incremento de 0,25% no índice de recuperação de açúcar. Embora pareça um percentual modesto, o impacto no volume total processado resultou em um faturamento adicional estimado entre R$ 2,5 milhões e R$ 3 milhões. Esse retorno demonstra que a tecnologia se paga em curto espaço de tempo, elevando a competitividade da unidade.

O uso de sensores de infravermelho não é novo, sendo utilizado desde os anos 1990, mas o diferencial atual reside na capacidade de processamento de dados. A IA permite uma calibração extremamente específica, ajustada às particularidades de cada usina e às variações climáticas que afetam a matéria-prima. Na safra 2024/25, a unidade que serviu de modelo processou 3,8 milhões de toneladas de cana, produzindo açúcar e etanol com níveis otimizados de eficiência.

Diante do sucesso na moagem, o planejamento agora envolve a expansão da inteligência artificial para outras etapas da cadeia produtiva sucroenergética. A automação baseada em dados reais reduz o desperdício industrial e minimiza o erro humano, consolidando a Indústria 4.0 no campo brasileiro. A tendência é que a tecnologia se torne um padrão de mercado para usinas que buscam maximizar o rendimento de cada tonelada de cana colhida.

O setor sucroenergético reafirma seu papel na vanguarda tecnológica, unindo a tradição da cultura da cana com o que há de mais moderno em análise de dados. A precisão no controle industrial não apenas melhora o balanço financeiro, mas também contribui para uma produção mais sustentável, extraindo o máximo potencial energético da planta com menor gasto de recursos operacionais.