O cenário macroeconômico brasileiro encerra o primeiro mês de 2026 apresentando sinais de solidez, apesar da manutenção de patamares elevados nas taxas de juros. Segundo análise do Rabobank, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, de forma unânime, manter a taxa Selic em 15%. No entanto, o comunicado trouxe uma novidade que animou os mercados: o início do ciclo de flexibilização monetária foi sinalizado para março, antecipando a projeção anterior que apontava abril como o cenário mais provável.
Essa mudança na sinalização reflete um maior conforto do Banco Central com a trajetória das expectativas de inflação e com o comportamento dos indicadores de médio prazo. No ambiente externo, os Estados Unidos também trouxeram previsibilidade, com o Federal Reserve mantendo os juros entre 3,5% e 3,75% e a nomeação de Kevin Warsh para a presidência da autoridade monetária, decisão que foi bem recebida pelos investidores globais.
No mercado de câmbio, o real demonstrou força relativa mesmo diante das incertezas fiscais domésticas. A moeda brasileira encerrou a última semana cotada a R$ 5,2631, registrando uma valorização de 0,40%. Esse resultado posicionou o real com o quarto melhor desempenho semanal entre 24 moedas de países emergentes. Contudo, analistas mantêm a cautela para o fechamento do ano, projetando que o dólar possa atingir R$ 5,60 devido à volatilidade internacional.
Indicadores Monetários e de Câmbio: Taxa Selic: 15% (manutenção com sinal de queda em março). Taxa Fed (EUA): 3,5% a 3,75%. Cotação do Real: R$ 5,2631 (+0,40% na semana).
A inflação brasileira apresentou sinais mistos em janeiro. O IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial, subiu 0,20%, indicando uma leve desaceleração em relação ao fim de 2025. Setores como saúde e comunicação ainda impedem uma queda mais drástica do índice. Por outro lado, o IGP-M acelerou 0,41% no mês, impulsionado pela alta nos preços das commodities e pelo aumento do IPA industrial, o que demanda atenção das cadeias produtivas que dependem de insumos dolarizados.
Um dos pontos mais celebrados nos relatórios econômicos é a resiliência do mercado de trabalho. A taxa de desemprego encerrou 2025 em 5,1%, estabelecendo um novo mínimo histórico para o país. Esse nível de ocupação reforça o vigor da atividade econômica e o consumo das famílias, garantindo uma base sólida para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre deste ano.
Balanço de Inflação e Trabalho: IPCA-15 (Janeiro): +0,20%. IGP-M (Janeiro): +0,41%. Taxa de Desemprego: 5,1% (mínima histórica).
No campo fiscal, o resultado primário de 2025 fechou no terreno negativo, pressionado pelos déficits do governo central e das empresas estatais. No entanto, o governo logrou o cumprimento formal da meta fiscal estabelecida, o que ajuda a mitigar riscos de prêmios de risco excessivos nas taxas de juros de longo prazo. A manutenção da disciplina nos gastos será fundamental para que o ciclo de cortes da Selic, previsto para março, seja sustentável.
Para o agronegócio e a indústria, o cenário de juros ainda elevados representa um desafio para o financiamento de safras e expansão de plantas industriais. No entanto, o pleno emprego e a sinalização de queda nas taxas em março oferecem uma perspectiva de melhora nas condições de crédito e de fomento ao investimento privado. A estabilidade do real frente aos pares emergentes também auxilia no planejamento das importações de fertilizantes e defensivos agrícolas.
A economia brasileira inicia 2026 em uma fase de transição monetária. O equilíbrio entre o rigor fiscal e a flexibilização dos juros ditará o ritmo da atividade econômica ao longo do primeiro semestre. Com o desemprego em níveis historicamente baixos, o Brasil demonstra que possui motores internos de crescimento capazes de suportar a volatilidade vinda do exterior e as pressões de custos nas cadeias de suprimento globais.