Bezerro valorizado e arroba em alta marcam as projeções para 2026
Publicado em 10/02/2026 10h58

Bezerro valorizado e arroba em alta marcam as projeções para 2026

A dsm-firmenich projeta para 2026 a inversão do ciclo pecuário no Brasil, com menor abate de fêmeas e tendência de alta nos preços do boi e do bezerro.
Por: Redação

O mercado pecuário brasileiro se prepara para uma mudança de curso significativa em 2026. Após um 2025 marcado por uma oferta excessiva de fêmeas, que chegou a representar 48% do abate total nos primeiros três trimestres, o setor entra agora na fase de retenção de matrizes. Essa inversão do ciclo pecuário, detalhada pela dsm-firmenich em sua análise de expectativas para o ano, deve reduzir a disponibilidade geral de animais e dar suporte para a valorização da arroba.

Em 2025, a alta produção de carne e o recorde de exportações não foram suficientes para sustentar os preços do boi gordo, justamente devido ao descarte massivo de fêmeas que inundou o mercado. Para 2026, o cenário se inverte: a capacidade produtiva de bezerros caiu nos anos anteriores, o que já reflete em uma reposição mais cara. Com o bezerro valorizado, o criador volta a reter vacas e novilhas, iniciando um processo de escassez de oferta que tende a elevar os preços em toda a cadeia.

As projeções indicam que a produção de carne bovina deve recuar cerca de 5% em 2026, passando de 10,9 milhões para 10,3 milhões de toneladas. No mercado interno, a disponibilidade deve cair 7%, o que, somado à tendência de alta na arroba, pode pressionar o preço da carne no varejo. Contudo, eventos como as eleições e a Copa do Mundo são vistos como catalisadores que podem estimular o consumo doméstico.

PROJEÇÕES PARA 2026

  • Produção de carne: Queda de 5% (est. 10,3 mi t)

  • Exportações: Recuo de 3% (est. 4,8 mi t)

  • Preço do bezerro: Tendência de alta sustentada

O impacto das barreiras internacionais

O cenário das exportações em 2026 exige atenção redobrada dos analistas. Em 2025, o Brasil enfrentou o "tarifaço" dos Estados Unidos, com taxas que chegaram a 40% em agosto, antes de recuarem para 10% no fim do ano. Para 2026, o principal desafio logístico e comercial reside nas salvaguardas chinesas aplicadas desde janeiro, que impõem uma tarifa de +55% após o limite das cotas de importação.

Apesar dessas barreiras, a abertura de novos mercados internacionais atua como uma válvula de escape para a produção brasileira. A menor oferta interna de carne, decorrente da retenção de fêmeas, limitará o volume disponível para embarque, mas o preço competitivo da proteína brasileira continua sendo um diferencial nas mesas asiáticas e europeias. A expectativa é que as exportações encerrem o ano em torno de 4,8 milhões de toneladas.

O preço do boi gordo em São Paulo, que operou em patamares baixos em 2025 (próximo de R$ 230-240/@ em alguns momentos), já demonstra sinais de recuperação. A dsm-firmenich aponta que a sustentação desse movimento de alta dependerá da velocidade da desaceleração do PIB, que pode desestimular o consumo, equilibrando as forças entre a oferta restrita e a demanda cautelosa.

Margens para a cria e recria

O pecuarista que atua na cria deve ser o maior beneficiado neste novo ciclo. Com o bezerro atingindo patamares de preço elevados, as margens da atividade tendem a ser positivas, incentivando o investimento em nutrição e genética de matrizes. Por outro lado, o recriador e o invernista enfrentarão custos de reposição mais altos, o que exigirá uma gestão de custos impecável e o uso de tecnologias que acelerem o ganho de peso.

A fase de "primavera do ciclo" é caracterizada por essa valorização generalizada. Dados da Carta Pecuária indicam que o setor está superando picos históricos de preços em toda a cadeia produtiva, desde o bezerro na fazenda até a carcaça no atacado. O planejamento nutricional estratégico torna-se, portanto, a ferramenta para garantir que o animal atinja o peso de abate no menor tempo possível, aproveitando a janela de preços altos da arroba.

A retenção de fêmeas é o gatilho que faltava para consolidar a virada de preços, após um período prolongado de liquidação de plantel que penalizou a rentabilidade do produtor.

As salvaguardas chinesas aplicadas desde janeiro de 2026 elevam as tarifas em 55% após o esgotamento das cotas anuais.