Pecuária de precisão reduz custos e eleva produtividade no leite e corte
Publicado em 10/02/2026 10h30

Pecuária de precisão reduz custos e eleva produtividade no leite e corte

A pecuária brasileira evoluiu da era extrativista para a digital, onde softwares e precisão nutricional garantem lucro mesmo com margens apertadas.
Por: Redação

A bovinocultura brasileira atravessa a sua mais profunda transformação estrutural, migrando de um modelo baseado em grandes áreas para um sistema de alta tecnologia e monitoramento em tempo real. Segundo a dsm-firmenich, essa evolução pode ser dividida em quatro etapas distintas: a pecuária extrativista, a transição profissional, a intensificação produtiva e, finalmente, a era da digitalização e sustentabilidade. Hoje, o sucesso no campo é determinado pela capacidade de converter dados em decisões lucrativas.

Neste novo ciclo, a pecuária de precisão deixa de ser um conceito abstrato para se tornar realidade nas fazendas de corte e leite. O uso de softwares como o FarmTell permitiu a criação de um banco de dados robusto, que hoje analisa mais de 769 mil hectares e monitora 1,4 milhão de cabeças de gado no Brasil. Essa base de informações revela gargalos antes invisíveis, como o fato de que 40% dos cochos das fazendas analisadas permanecem vazios em períodos críticos, prejudicando o desempenho animal.

A tecnologia nutricional, representada pelo legado da marca Tortuga, atua como o braço físico dessa revolução digital. Ao combinar minerais de alta tecnologia com aditivos fitogênicos, como os presentes na linha Fosbovi Advance, o produtor consegue melhorar a imunidade e a digestibilidade do rebanho. O resultado é um animal que produz mais carcaça e atinge o ponto de abate mais cedo, otimizando o fluxo de caixa da propriedade.

OS 4 PASSOS DA EVOLUÇÃO

  1. Extrativista: Baixa produtividade e pouco planejamento.

  2. Profissionalização: Controle de custos e melhora genética.

  3. Intensificação: Suplementação estratégica e foco em área.

  4. Digitalização: Monitoramento em tempo real e sustentabilidade.

Eficiência no leite e desafios para 2026

No setor leiteiro, a precisão tecnológica é a resposta para as margens apertadas que marcaram o segundo semestre de 2025. A projeção para 2026 é de uma desaceleração na oferta, já que os baixos investimentos realizados no ano anterior limitarão a produção atual. Nesse cenário, o produtor de leite que utiliza ferramentas de monitoramento consegue identificar as vacas mais eficientes e ajustar a dieta para maximizar a conversão alimentar.

A dsm-firmenich aponta que o preço do leite pago ao produtor deve voltar a apresentar um comportamento sazonal em 2026, com menor volatilidade, mas em patamares ainda desafiadores. A saída para manter a rentabilidade está na gestão rigorosa. Dados mostram que o uso de suplementação adequada e o manejo de pastagens rotacionadas elevam o consumo de nutrientes em até 10% comparado ao sistema contínuo, reduzindo o custo de produção do litro de leite.

A sustentabilidade também está inserida no pacote tecnológico. Programas como o Sustell permitem mensurar a pegada de carbono da produção, atendendo às exigências de um mercado consumidor cada vez mais atento ao impacto ambiental. Reduzir a idade de abate e melhorar a eficiência reprodutiva das matrizes são as formas mais eficazes de produzir uma carne e um leite mais sustentáveis para o planeta.

Inovação através da pesquisa

A base dessa evolução tecnológica está fundamentada em pesquisa científica pesada. A dsm-firmenich mantém parcerias com mais de 200 instituições de pesquisa ao redor do mundo, incluindo Embrapa e grandes universidades brasileiras como a UNESP e a USP. No Brasil, o Centro de Inovação em Gado de Corte (IAS Beef Center) conta com 13 mil hectares e 15,5 mil animais dedicados exclusivamente a testar novas soluções nutricionais em condições reais de fazenda comercial.

Essa estrutura permite realizar cerca de 14 pesquisas por ano, focando em pasto, confinamento e produção de leite. O objetivo é garantir que o produto que chega ao balcão do Sindicato Rural ou da revenda tenha eficácia comprovada para as condições de clima e solo do Brasil. A pecuária de precisão é, portanto, a combinação de nutrição superior, consultoria especializada e inteligência de dados.

O foco atual da indústria é prover ferramentas que permitam ao pecuarista gerir a fazenda "na palma da mão", com rastreabilidade total e foco em resultados financeiros mensuráveis.

Atualmente, o software FarmTell monitora uma base de 1,4 milhão de cabeças em mais de 500 fazendas no Brasil.