A semana começa com atenções voltadas para o cenário internacional de grãos, onde a divulgação do relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), prevista para esta segunda-feira (10 de fevereiro), promete ditar o ritmo das negociações. A análise da consultoria Grão Direto aponta que o documento deve trazer maior clareza sobre o tamanho real da safra norte-americana e a situação dos estoques globais, fatores determinantes para a formação de preços na Bolsa de Chicago.
A expectativa predominante no mercado é de que o órgão norte-americano confirme uma produção elevada nos Estados Unidos. Caso esse cenário se concretize sem cortes relevantes nas estimativas de outras regiões produtoras, haverá uma tendência de pressão sobre as cotações internacionais, limitando movimentos de alta. O volume da safra dos EUA serve como balizador para a disponibilidade global do cereal, influenciando diretamente a competitividade das exportações brasileiras.
Enquanto os olhos estão voltados para os dados de produção no Hemisfério Norte, a situação climática na América do Sul atua como um contraponto importante. A Argentina enfrenta um cenário marcado por calor intenso e seca, condições que prejudicam o desenvolvimento das lavouras.
Segundo a análise da Grão Direto, já existem perdas projetadas na produtividade do milho semeado mais cedo no país vizinho. Essa quebra potencial na safra argentina tende a sustentar os preços ou, ao menos, evitar quedas mais acentuadas na Bolsa de Chicago, servindo como um suporte para as cotações diante da ampla oferta norte-americana. O mercado monitora se o relatório do USDA trará ajustes que reflitam essa realidade climática adversa na América do Sul.
No cenário doméstico, o foco permanece sobre a janela de plantio da segunda safra, popularmente conhecida como safrinha. O período de semeadura é considerado determinante para a produtividade média nacional, uma vez que o milho plantado dentro da janela ideal aproveita melhor as chuvas de final de verão e corre menos riscos com geadas ou estiagem no desenvolvimento dos grãos.
No Mato Grosso, maior estado produtor do país, os trabalhos de campo avançam em ritmo acelerado. De acordo com dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a semeadura alcançou 28,30% da área estimada para a cultura. O número representa um avanço expressivo de 12,71 pontos percentuais apenas na última semana.
Esse progresso é impulsionado diretamente pelo ritmo da colheita da soja, que libera as áreas para o plantio imediato do cereal. Na comparação anual, o desempenho atual supera em 5% o registrado no mesmo período do ano anterior, indicando uma safra que, até o momento, caminha com boa celeridade. A Grão Direto avalia que as condições climáticas ao longo desta semana serão fundamentais para orientar os preços no curto prazo, definindo se o potencial produtivo será mantido.
Outro ponto de atenção levantado pela consultoria refere-se à dinâmica de preços no mercado físico brasileiro. Apesar da firmeza observada nas cotações recentes, a entrada da safra de verão e a necessidade logística dos produtores podem alterar o cenário.
Muitos agricultores precisam liberar espaço nos armazéns para estocar a soja que está sendo colhida. Esse movimento gera um aumento pontual na oferta de milho disponível, o que pode abrir janelas de recuo temporário nos preços físicos. A pressão de venda para desocupar silos é um movimento sazonal clássico que, muitas vezes, oferece oportunidades de compra para consumidores do grão.
À semelhança do comportamento observado nas semanas anteriores, a expectativa para os próximos dias é de um mercado com menor ritmo de negócios, operando em compasso de espera. Os agentes do setor estão em processo de assimilação dos números da safra e das novas diretrizes que virão do USDA, com possibilidade de novos ajustes negativos nas cotações ao longo da semana, a depender da confirmação dos dados de oferta global.