
O agronegócio brasileiro caminha para consolidar mais um marco histórico na produção de alimentos. Segundo o quinto levantamento de acompanhamento da safra 2025/26, divulgado nesta quinta-feira (12) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o país deve atingir a marca de 353,4 milhões de toneladas de grãos. O volume representa um crescimento de 0,3% sobre a temporada anterior, quando foram colhidas 352,1 milhões de toneladas.
O ajuste positivo em relação ao relatório de janeiro, que previa 353,1 milhões de toneladas, reflete a resiliência das lavouras brasileiras e o ganho de produtividade em regiões estratégicas. O avanço da colheita das culturas de primeira safra confirma a tendência de alta, sustentada por uma área plantada que deve alcançar 83,3 milhões de hectares, uma expansão de 1,9% na comparação anual.
A soja continua sendo o principal motor do campo. A estatal elevou a estimativa para a oleaginosa em quase 2 milhões de toneladas em apenas um mês, fixando a projeção em 178 milhões de toneladas. Se confirmado, este será o maior volume de soja já produzido em solo brasileiro, com um salto de 6,5 milhões de toneladas sobre o ciclo 2024/25.
RADIOGRAFIA DA SAFRA 25/26
Produção Total: 353,4 milhões de toneladas (+0,3%)
Soja: 178 milhões de toneladas (Recorde)
Área Total: 83,3 milhões de hectares (+1,9%)
Até o momento, os trabalhos de colheita da soja avançaram sobre 17,4% da área semeada no país. Esse ritmo de campo é monitorado de perto pelo mercado, dado que a antecipação ou atraso na retirada da soja impacta diretamente a janela de plantio da segunda safra. A revisão para cima nas estimativas da Conab demonstra que as condições climáticas nas principais bacias produtoras foram favoráveis durante o desenvolvimento da cultura.
O recorde da soja é um fator de equilíbrio para a balança comercial nacional, garantindo a liquidez dos produtores em um cenário de custos operacionais ainda elevados. O incremento de 1,9% na área plantada total do país mostra que o agricultor brasileiro continua investindo na ocupação de solo, buscando compensar variações de preços internacionais com ganho de escala e eficiência tecnológica.
A diversificação das regiões produtoras também auxilia na manutenção desse teto produtivo. Estados do Centro-Oeste e do Matopiba apresentam resultados sólidos, compensando oscilações pontuais em outras federações. A gestão eficiente do manejo e o uso de sementes de alta genética são pilares que sustentam a projeção de 178 milhões de toneladas, consolidando a liderança brasileira no mercado global da oleaginosa.
Para o milho, a conjuntura exige uma análise mais detalhada entre as etapas de plantio. A estimativa total para o cereal é de 138,4 milhões de toneladas, o que significa um recuo de 1,9% em relação à safra anterior. Apesar da queda no volume total, a primeira safra apresentou um desempenho positivo, com produção estimada em 26,7 milhões de toneladas, crescimento de 7,1% sobre o ano passado.
O grande desafio agora reside na segunda safra, o "milho safrinha", que deve ocupar 17,9 milhões de hectares. O plantio já foi iniciado e atingiu 21,6% da área estimada na primeira semana de fevereiro. A produção projetada para esta etapa é de 109,3 milhões de toneladas. O sucesso deste volume dependerá do regime de chuvas nos próximos meses, fundamentais para garantir o enchimento de grãos nas lavouras recém-semeadas.
A retração na área total de milho em alguns estados reflete a estratégia do produtor de priorizar culturas com melhor liquidez imediata ou menores riscos climáticos. Ainda assim, o volume projetado pela Conab assegura o abastecimento do mercado interno, especialmente para a indústria de proteína animal, e mantém o Brasil como um competidor agressivo no cenário de exportação.
O arroz apresentou uma redução de 11,6% na área cultivada nesta temporada, totalizando 1,6 milhão de hectares. A Conab estima uma produção de 10,9 milhões de toneladas. Segundo Edegar Pretto, presidente da Conab, o desestímulo ao plantio ocorreu devido aos preços de mercado estarem abaixo do preço mínimo no momento da semeadura, levando os agricultores a optarem por outras culturas.
CONDIÇÃO DAS CULTURAS
Milho 1ª Safra: Crescimento de 7,1% na produção.
Milho 2ª Safra: 21,6% da área já semeada.
Arroz: Produção de 10,9 mi de t, garantindo o consumo interno.
Mesmo com a área menor, a estatal ratifica que o volume produzido é suficiente para suprir as necessidades de consumo da população brasileira. A produtividade média deve compensar parte da redução da área, mantendo os estoques em níveis de segurança operacional. O feijão também segue em patamar estável, com produção próxima a 3 milhões de toneladas considerando as três safras da leguminosa.
O algodão fecha o quadro das grandes culturas com uma área destinada de 2 milhões de hectares, queda de 3,2% em comparação ao ciclo passado. A produção de pluma deve atingir 3,8 milhões de toneladas. O setor de fibras foca agora na qualidade do produto final e na manutenção dos contratos de exportação, que têm sido fundamentais para a rentabilidade da cultura no cerrado brasileiro.
Com a colheita da primeira safra ganhando ritmo, o mercado volta suas atenções para os custos logísticos e o escoamento da produção recorde.