Brasil ruma para recorde de 353,4 milhões de toneladas de grãos
Publicado em 13/02/2026 10h52

Brasil ruma para recorde de 353,4 milhões de toneladas de grãos

A Conab projeta safra recorde de 353,4 milhões de toneladas em 2025/26, com a soja atingindo históricas 178 milhões de t e avanço de 1,9% na área total.
Por: Redação

O agronegócio brasileiro iniciou 2026 reafirmando sua capacidade de superação e eficiência no campo. De acordo com o 5º Levantamento da Safra de Grãos, divulgado nesta quinta-feira (12) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção total para o ciclo 2025/26 está estimada em 353,4 milhões de toneladas. O número representa um crescimento de 0,3% em relação à temporada anterior e mantém a perspectiva de um novo recorde na série histórica do país.

O avanço da produção é sustentado, principalmente, pela expansão da área plantada, que deve alcançar 83,3 milhões de hectares — uma alta de 1,9% na comparação anual. Esse incremento de área compensa a leve retração de 1,5% na produtividade média nacional, estimada em 4.244 quilos por hectare, reflexo de variações climáticas pontuais em algumas regiões. Com a colheita da primeira safra já em andamento, o otimismo do setor permanece elevado.

A soja continua sendo a grande protagonista do agro nacional. A Conab elevou a estimativa para a oleaginosa a um patamar inédito de 178 milhões de toneladas, um acréscimo de 6,5 milhões de t sobre o ciclo passado. O clima favorável nas principais bacias produtoras permitiu que os trabalhos de campo atingissem 17,4% da área total, com destaque para Mato Grosso, onde a colheita já ultrapassa os 46%.

RADIOGRAFIA DA SAFRA 25/26

  • Produção Total: 353,4 milhões de t (Recorde).

  • Área Semeada: 83,3 milhões de hectares (+1,9%).

  • Destaque Soja: 178 milhões de toneladas.

Dinâmica do milho e consumo recorde

Para o milho, o cenário é de ajuste, com uma produção total prevista em 138,4 milhões de toneladas, recuo de 1,9% frente à safra anterior. Apesar da queda no volume consolidado, a primeira safra do cereal surpreendeu com um crescimento de 7,1% na produção, estimada em 26,7 milhões de toneladas. O foco do mercado agora se volta para a segunda safra, o "safrinha", que já conta com 21,6% da área de 17,9 milhões de hectares semeada.

Um dado relevante do levantamento da Conab é o avanço no consumo interno de milho, que bateu recorde de 90,5 milhões de toneladas na temporada passada. Esse movimento é impulsionado pelo vigor da indústria de etanol de milho e pela pujança da proteína animal. Para o ciclo 2025/26, a estatal projeta que o consumo doméstico suba ainda mais, atingindo 94,5 milhões de toneladas, enquanto as exportações devem saltar para 46,5 milhões de t.

A demanda aquecida, tanto interna quanto externa, garante liquidez ao produtor, mesmo diante de preços internacionais mais pressionados. A manutenção de estoques de passagem em torno de 12 milhões de toneladas para janeiro de 2027 traz segurança para a cadeia de suprimentos nacional, evitando desabastecimentos nos setores de ração e combustível.

Arroz, feijão e algodão: ajustes de área

No setor de arroz, a área plantada registrou uma redução de 11,6%, fixando-se em 1,6 milhão de hectares. A produção estimada é de 10,9 milhões de toneladas, volume que a Conab classifica como suficiente para assegurar o abastecimento interno. No Rio Grande do Sul, principal polo produtor, as lavouras apresentam bom desenvolvimento vegetativo após a recuperação dos mananciais hídricos com as chuvas recentes.

O feijão deve manter sua produção próxima a 3 milhões de toneladas, somando-se as três safras anuais. Houve um deslocamento da liderança produtiva no primeiro ciclo: enquanto a região Sul, especialmente o Paraná, registrou queda de 9% na colheita, Minas Gerais apresentou alta de 9,5%, tornando-se o principal estado produtor de feijão na primeira safra de 2026.

Para o algodão, a área destinada ao cultivo sofreu uma retração de 3,2%, estimada em 2 milhões de hectares. A colheita da pluma deve atingir 3,8 milhões de toneladas. A cultura, que é predominantemente de segunda safra, já está com 88,1% da área semeada, mostrando a agilidade do produtor em aproveitar a janela climática após a retirada da soja.

MERCADO E EXPORTAÇÃO

  • Exportação de Milho (25/26): Est. 46,5 mi de t.

  • Consumo Interno Milho: Est. 94,5 mi de t.

  • Etanol de milho: Principal motor da demanda doméstica.

Com os trabalhos de colheita avançando rapidamente em estados como Mato Grosso e Goiás, o agronegócio brasileiro prova, mais uma vez, sua capacidade de entregar volumes recordes sob gestão eficiente. O acompanhamento climático nas próximas semanas será determinante para consolidar as estimativas da segunda safra e garantir que o Brasil atinja a marca histórica de 353,4 milhões de toneladas.

A produção recorde de milho no ciclo passado permitiu ao Brasil exportar 41,5 milhões de toneladas, consolidando o país como player estratégico global.