
Jonas Hipólito, presidente da Biotrop e integrante da liderança do BioFirst Group
O contraste entre a potência agrícola brasileira e as exigências ambientais do Velho Continente deu o tom do primeiro BioSolutions Forum, realizado em Bruxelas no último dia 10 de fevereiro. O evento, sediado na Sofina e estrategicamente localizado a poucos passos do Parlamento Europeu, conectou duas realidades distintas: o Brasil, onde os biológicos são adotados pela performance econômica, e a Europa, que busca sustentabilidade, mas esbarra em uma regulação morosa.
Jonas Hipólito, presidente da Biotrop e liderança do BioFirst Group, destacou que o Brasil tem muito a ensinar sobre o uso em larga escala dessas tecnologias. Enquanto em solo brasileiro grupos como Atvos, Coruripe, Cocal e Pedra Agroindustrial já utilizam biológicos em até 100% de suas áreas visando o controle de custos e rentabilidade, o produtor europeu enfrenta uma escassez de soluções prontas para o mercado.
A pressão sobre o agricultor europeu para abandonar químicos sintéticos é alta, mas a chegada de novas tecnologias ao campo é travada por processos regulatórios prolongados. Hipólito reconheceu que a regulação é o atual "calcanhar de Aquiles" da Europa, impedindo que inovações cheguem de forma rápida para combater pragas e doenças que já apresentam resistência aos métodos tradicionais.
DOIS MUNDOS, UM OBJETIVO
Brasil: Adoção por rentabilidade e desempenho agronômico.
Europa: Adoção impulsionada por pressão regulatória e consumo sustentável.
Diferencial: No Brasil, o biológico compete economicamente com o químico.
Apesar dos entraves, o BioFirst Group sinalizou que sua aposta na Europa é definitiva. Sob as marcas BioWorks e EuroBiotrop, a companhia já estruturou equipes comerciais e de marketing na França, Itália, Espanha, Portugal, Holanda, Bélgica e Turquia. Ao todo, 16 profissionais já atuam diretamente no continente, focados em obter registros e adaptar as propostas de valor à realidade europeia.
"Estamos do lado certo da história. É uma força imparável", afirmou Hipólito durante o fórum. Para ele, a transição para os biológicos na Europa é inevitável e a modernização da visão regulatória do bloco será forçada pela necessidade técnica dos produtores. A base de pesquisa construída no Brasil serve agora de alicerce para essa expansão, oferecendo produtos que já provaram sua eficácia em ambientes de alta competição.
A estratégia da Biotrop é traduzir sua experiência operacional brasileira para o contexto europeu. Se no Brasil a análise é rigorosa quanto ao custo-benefício, na Europa o foco inicial recai sobre a conformidade com as metas de sustentabilidade, mas a empresa acredita que o componente de lucro será o diferencial para a fidelização dos clientes internacionais.
O fórum evidenciou que, enquanto o Brasil avalia os biológicos sob a ótica da competitividade, a Europa o faz sob a ótica da substituição forçada. Propriedades menores e sistemas produtivos distintos exigem que a indústria de biológicos seja capaz de entregar não apenas controle biológico, mas segurança jurídica e sustentabilidade certificada.
Representantes de usinas brasileiras presentes no encontro compartilharam estudos de caso onde a substituição do químico pelo biológico não foi apenas uma escolha "verde", mas uma decisão financeira estratégica que aumentou o ROI (Retorno sobre Investimento) das lavouras de cana-de-açúcar. Essa "expertise de lucro" é o que a Biotrop pretende levar aos distribuidores e parceiros europeus.
PRESENÇA INTERNACIONAL A Biotrop já conta com equipes em 7 países europeus, focando em:
Obtenção de registros regulatórios.
Estruturação de canais de distribuição.
Adaptação de tecnologias brasileiras ao clima temperado.
A confiança da liderança brasileira reside no fato de que o movimento de descarbonização e redução de químicos é global. Mesmo com barreiras, o talento e a determinação da ciência brasileira aplicada ao campo têm se mostrado capazes de superar gargalos técnicos, posicionando as empresas nacionais como protagonistas da nova revolução verde europeia.
O evento em Bruxelas marcou o posicionamento oficial da Biotrop como uma empresa europeia de origem brasileira, preparada para os desafios do próximo ciclo agrícola.