Comitiva brasileira percorre polos têxteis indianos para fechar negócios
Publicado em 18/02/2026 02h16

Comitiva brasileira percorre polos têxteis indianos para fechar negócios

Uma delegação brasileira cumpre agenda na Índia até 28 de fevereiro para ampliar a exportação de algodão sustentável ao gigante polo têxtil asiático.
Por: Redação

O agronegócio brasileiro deu início a uma das missões internacionais mais estratégicas deste primeiro trimestre de 2026. Entre os dias 17 e 28 de fevereiro, uma comitiva de alto nível composta por representantes do Cotton Brazil, da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) e da ApexBrasil cumpre uma extensa agenda em solo indiano. O objetivo é claro: consolidar a fibra nacional como a principal escolha de um dos maiores e mais competitivos parques industriais de fiação do planeta.

A Índia é considerada um mercado prioritário na estratégia de expansão global do setor algodoeiro brasileiro. Com uma indústria têxtil em constante crescimento e cada vez mais exigente quanto à origem das matérias-primas, o Brasil busca se posicionar não apenas pelo volume, mas pela qualidade e confiabilidade. O país asiático possui uma demanda robusta que, aliada à expertise brasileira em larga escala, pode gerar parcerias bilionárias nos próximos anos.

Segundo Fernando Rati, gestor do Cotton Brazil, a missão foca em apresentar os diferenciais competitivos da nossa pluma. "Nosso objetivo é fortalecer parcerias estratégicas, promover a rastreabilidade e a sustentabilidade da fibra brasileira e consolidar o Brasil como fornecedor confiável para atender às exigências da indústria têxtil indiana", destaca o executivo.

ROTEIRO DA MISSÃO

  • Cidades: Nova Delhi, Ahmedabade, Coimbatore e Mumbai.

  • Foco: Indústria de fiação e polos têxteis de alta competitividade.

  • Diferenciais: Sustentabilidade (ABR) e rastreabilidade total.

Rastreabilidade e sustentabilidade como ativos

O diferencial do algodão brasileiro no mercado internacional hoje reside no programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que certifica as boas práticas socioambientais nas fazendas. Para os industriais indianos, que exportam tecidos e confecções para mercados rigorosos como Europa e Estados Unidos, utilizar uma fibra sustentável e rastreável é um diferencial competitivo essencial.

Durante a missão, a delegação promove o Cotton Brazil Outlook, uma série de encontros técnicos onde são apresentados dados detalhados sobre a qualidade da pluma, índices de conformidade e os avanços em biotecnologia que permitem ao Brasil produzir em regimes de sequeiro com alta produtividade. Workshops técnicos voltados especificamente para as fiações locais buscam sanar dúvidas sobre o processamento da fibra brasileira, que é reconhecida pela homogeneidade e baixo índice de contaminação.

Essa aproximação técnica é fundamental para que o Brasil supere concorrentes tradicionais na Ásia. Ao demonstrar que a pluma brasileira possui um sistema de identificação individual por fardo (HVI), o exportador garante ao comprador indiano uma segurança que facilita o ajuste das máquinas de fiação e melhora o rendimento industrial das fábricas em cidades como Coimbatore e Mumbai.

Estratégia de longo prazo na Ásia

A presença contínua do Brasil na Índia faz parte de um plano de ocupação de mercado que visa reduzir a dependência de destinos únicos. Com a colheita brasileira de algodão mantendo patamares elevados — projetada em 3,8 milhões de toneladas de pluma pela Conab — encontrar canais de escoamento em polos industriais de alto consumo é vital para a manutenção dos preços internos e da rentabilidade do produtor, especialmente no Mato Grosso e na Bahia.

A integração entre a produção agrícola e a diplomacia comercial tem permitido que o algodão brasileiro atinja níveis de market share inéditos. A ApexBrasil atua como facilitadora nas rodadas de negócios, conectando exportadores nacionais a grandes grupos têxteis indianos que buscam contratos de longo prazo para garantir o suprimento de suas unidades fabris.

DADOS DO SETOR (2025/26)

  • Área plantada: ~2 milhões de hectares.

  • Produção estimada: 3,8 milhões de toneladas de pluma.

  • Meta da missão: Ampliar a participação na fiação indiana.

O encerramento da missão, previsto para o final de fevereiro, deve resultar em protocolos de intenção de compra e no fortalecimento da imagem do Brasil como uma "fazenda sustentável do mundo". A expectativa é que, com a consolidação dessas parcerias, o fluxo de navios carregados de algodão partindo de portos como Santos e Paranaguá com destino à Índia registre um crescimento de dois dígitos ainda no primeiro semestre de 2026.

A comitiva brasileira realizará workshops técnicos em quatro dos principais hubs industriais da Índia para treinar fiações no uso da fibra nacional.