O fortalecimento das relações diplomáticas e comerciais entre Brasil e Equador ganhou um novo capítulo nesta semana. Em reunião oficial realizada em Quito, no dia 11 de fevereiro, autoridades dos dois países definiram a ampliação da agenda agrícola bilateral. O encontro, que reuniu o ministro equatoriano Juan Carlos Vega e o secretário Luís Rua, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), consolidou a abertura de mercados para produtos estratégicos e estabeleceu as bases para uma cooperação técnica sem precedentes.
No campo comercial, o Brasil formalizou a autorização para a entrada de pimentões, limões e peles de bovinos provenientes do Equador. Em contrapartida, o mercado equatoriano passa a receber farinhas de sangue bovino e de vísceras de aves produzidas pela indústria brasileira de reciclagem animal. O acordo é visto como um passo fundamental para equilibrar a balança comercial e oferecer novas opções de insumos para as agroindústrias de ambas as nações.
As discussões também avançaram sobre itens sensíveis e de alto interesse econômico. Equipes técnicas trabalham na viabilização do acesso de camarões e bananas equatorianos ao território brasileiro, enquanto o Brasil busca autorização para exportar feijões e produtos da suinocultura para o vizinho sul-americano. A nota conjunta reforça que ambos os governos estão comprometidos em trabalhar de maneira célere para destravar esses fluxos.
ABERTURA DE MERCADOS
Exportações do Brasil: Farinha de sangue bovino e vísceras de aves.
Importações do Brasil: Pimentões, limões e peles bovinas.
Em pauta: Suínos e feijão (Brasil); Camarão e banana (Equador).
Além das trocas comerciais, o encontro em Quito focou na transferência de tecnologia e conhecimento. Os dois países manifestaram o interesse em formalizar um memorando de entendimento entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Instituto Nacional de Pesquisas Agropecuárias (INIAP) do Equador. A parceria visa atacar problemas fitossanitários que desafiam a produtividade na América Latina.
A cooperação abrangerá áreas críticas como o melhoramento genético de animais e cultivos, além do combate a enfermidades que afetam culturas vitais para a economia equatoriana, como a banana e o cacau. Outro ponto de destaque é a pesquisa sobre fixação biológica de nitrogênio no solo, tecnologia na qual o Brasil é referência mundial e que pode reduzir drasticamente o custo com fertilizantes químicos para os produtores equatorianos.
O secretário Luís Rua convidou oficialmente a diretoria do INIAP a visitar o Brasil para conhecer os centros de pesquisa da Embrapa. Essa troca de experiências deve incluir também o intercâmbio de práticas de governança e avaliação de impacto de políticas públicas rurais, fortalecendo as instituições de pesquisa dos dois países frente aos desafios climáticos e produtivos de 2026.
O diálogo entre as nações terá continuidade em solo brasileiro. O ministro Juan Carlos Vega foi convidado a visitar Brasília em março de 2026, durante a 39ª Conferência Regional da FAO para a América Latina e o Caribe (LARC-39). O evento será uma oportunidade para assinar os acordos técnicos e revisar o cronograma de abertura para os produtos que ainda dependem de protocolos sanitários finais.
Para o agronegócio brasileiro, a aproximação com o Equador é estratégica. O país vizinho é um mercado consumidor em crescimento e um parceiro logístico importante na região andina. A diversificação da pauta, incluindo insumos de nutrição animal e proteínas, ajuda a reduzir a dependência de mercados extrarregionais e fortalece o bloco sul-americano como um hub de segurança alimentar.
FOCO NA TECNOLOGIA A parceria entre Embrapa e INIAP prioriza o combate a pragas no cacau e banana, além do intercâmbio em melhoramento genético animal.
A nota conjunta divulgada após a reunião em Quito reafirma que a integração agrícola é uma prioridade de Estado, dando sequência aos entendimentos firmados entre os presidentes dos dois países em julho de 2025. O setor produtivo aguarda agora a publicação das normas técnicas que permitirão o início efetivo dos embarques.
As autoridades acordaram seguir trabalhando em favor da abertura de mercados para produtos de interesse mútuo de forma célere.