A economia brasileira encerrou 2025 com um desempenho positivo, ancorado quase exclusivamente na força do campo. Dados divulgados nesta quinta-feira (19) pelo Banco Central revelam que o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), considerado uma prévia do PIB, subiu 2,5% no acumulado do ano passado. O grande destaque foi a agropecuária, que registrou uma expansão robusta de 13,1%, superando com folga os setores de serviços (2,1%) e indústria (1,5%).
O resultado evidencia que, mesmo diante de uma política monetária restritiva, o agronegócio conseguiu manter um ritmo de crescimento acelerado. Para efeito de comparação, quando se exclui o setor rural do cálculo, o IBC-Br apresenta uma alta bem mais modesta, de 1,8%. Esse hiato reforça o papel do produtor rural como o garantidor da estabilidade econômica do país em ciclos de juros elevados.
Em dezembro, o indicador geral apresentou um recuo de 0,2% na comparação com novembro (dados dessazonalizados), sinalizando a moderação esperada pelo Copom. No entanto, no confronto com dezembro de 2024, a economia brasileira cresceu 3,1%, consolidando o quarto ano seguido de expansão do nível de atividade nacional.
DESEMPENHO POR SETOR (2025)
Agropecuária: + 13,1%
Serviços: + 2,1%
Indústria: + 1,5%
IBC-Br Geral: + 2,5%
A taxa básica de juros, a Selic, atualmente fixada em 15% ao ano — o maior nível desde 2006 —, tem sido o principal desafio para o financiamento da safra e investimentos em máquinas. Contudo, o Banco Central sinalizou na última ata do Copom que o ciclo de queda deve começar na próxima reunião, em março. A decisão é amparada pela inflação (IPCA), que fechou 2025 em 4,44%, dentro do intervalo de tolerância da meta.
A manutenção dos juros em patamares restritivos por cinco reuniões consecutivas serviu para conter a demanda aquecida, mas também elevou o custo operacional das fazendas. O agronegócio, que opera com margens muitas vezes ajustadas ao preço das commodities, aguarda com ansiedade o alívio nas taxas para destravar projetos de infraestrutura e renovação de frota que ficaram represados no último semestre.
De acordo com o Banco Central, a economia opera acima do seu potencial de expansão sem pressionar a inflação, um equilíbrio delicado que permitiu à autarquia confirmar o início do afrouxamento monetário. Para o setor rural, juros menores significam crédito mais barato e incentivo direto ao consumo de insumos e tecnologia para a safra 2026/27.
Embora o IBC-Br seja um indicador fundamental para a estratégia de política monetária, o mercado aguarda a divulgação do PIB oficial pelo IBGE, agendada para o dia 3 de março. O PIB consolidado de 2025 deve confirmar a tendência de estabilidade observada no terceiro trimestre, quando a economia cresceu 0,1%.
O avanço da agropecuária em 2025 foi impulsionado por safras recordes e pela eficiência na pecuária de corte, que viu o abate de fêmeas atingir picos históricos antes do início da fase de retenção prevista para 2026. A dsm-firmenich, em relatórios recentes, já apontava que essa produtividade física seria o diferencial para compensar a volatilidade dos preços.
Com o consumo interno de milho e soja batendo recordes (impulsionado pelo etanol e proteína animal), a circulação de riqueza gerada pelo campo transborda para os demais setores. A expectativa agora é que o "PIB do Agro" continue sustentando o saldo positivo da balança comercial, garantindo que o Brasil mantenha sua trajetória de crescimento mesmo em um cenário global de incertezas.
CENÁRIO MONETÁRIO
Selic atual: 15% ao ano.
Expectativa: Início dos cortes em março/2026.
Inflação 2025: 4,44% (dentro da meta).
O escoamento da safra recorde e a manutenção da competitividade nas exportações de carnes serão os pilares para que o IBC-Br de 2026 continue refletindo a pujança do setor produtivo.