A semana termina com o pecuarista no comando das negociações. De acordo com a análise do informativo “Tem Boi na Linha”, da Scot Consultoria, o mercado do boi gordo encerrou esta sexta-feira (20) com forte firmeza e cotações em ascensão. O principal combustível para as altas é a oferta limitada de bovinos prontos para o abate, o que tem mantido as escalas das indústrias curtas, com média de apenas cinco dias úteis.
Em São Paulo, a referência para o boi gordo subiu R$ 2,00 por arroba na comparação diária. Embora a cotação oficial do “boi China” tenha se mantido estável em relação ao dia anterior, a consultoria destaca que já foram registrados negócios acima do preço de referência, sinalizando que a pressão compradora continua forte. Vaca e novilha não apresentaram variações no estado paulista.
O grande destaque do dia, no entanto, foi o estado de Minas Gerais. Com a oferta de animais extremamente reduzida, os frigoríficos mineiros foram obrigados a elevar os valores pagos para conseguir fechar suas escalas, resultando em altas expressivas em todas as praças pecuárias do estado.
MOVIMENTAÇÃO EM MINAS GERAIS
Sul de Minas: Boi gordo e novilha subiram R$ 5,00/@.
Triângulo Mineiro: Boi gordo e vaca subiram R$ 3,00/@.
Norte de Minas: Novilha disparou R$ 5,00/@.
Boi China (MG): Alta de R$ 5,00/@.
Se a oferta interna está curta, a demanda externa caminha no sentido oposto. Os dados das exportações de carne bovina in natura nas duas primeiras semanas de fevereiro impressionam. O Brasil já embarcou 136,8 mil toneladas no período, com uma média diária de 13,6 mil toneladas. Esse volume é 43,7% superior à média registrada no mesmo período de 2025.
Além do volume maior, a carne brasileira está sendo mais valorizada lá fora. O preço médio da tonelada exportada atingiu US$ 5,6 mil, uma valorização de 13,5% na comparação anual. Esse cenário dá sustentação aos frigoríficos exportadores para continuarem ativos na compra, mesmo com a arroba atingindo patamares mais elevados.
No Triângulo Mineiro, boi gordo e vaca subiram R$ 3,00/@. Na região de Belo Horizonte, as altas foram de R$ 2,00/@ para boi e vaca, enquanto a novilha avançou R$ 3,00/@. O Norte de Minas registrou valorizações de R$ 3,00/@ para o boi e R$ 2,00/@ para a vaca, com a novilha subindo significativos R$ 5,00/@. Já no Sul do estado, além da alta de R$ 5,00/@ no boi e na novilha, o prêmio pelo "Boi China" também saltou R$ 5,00/@.
Essa firmeza no mercado físico reflete um momento de transição de safra onde o pasto começa a perder qualidade em algumas regiões, mas a retenção de animais por parte do produtor — amparada pelos bons preços — tem evitado uma pressão baixista. Com escalas de abate apertadas em cinco dias, a tendência para a abertura da próxima semana é de manutenção da firmeza ou novas tentativas de alta por parte dos pecuaristas.
DADOS DE MERCADO
Escalas de abate: 5 dias úteis.
Exportação: 13,6 mil toneladas/dia (+43,7%).
Preço Médio Tonelada Exportada: US$ 5,6 mil (+13,5%).
A Scot Consultoria ressalta que todos os preços informados consideram valores brutos e com prazo. O monitoramento das escalas de segunda-feira será crucial para entender se o fôlego de alta de Minas Gerais irá se espalhar com a mesma intensidade para os estados vizinhos.
As exportações de carne bovina in natura somaram 136,8 mil toneladas até a segunda semana de fevereiro de 2026.