Senar/MS encerra reality e premia técnica de Sidrolândia com R$ 30 mil
Publicado em 23/02/2026 11h00

Senar/MS encerra reality e premia técnica de Sidrolândia com R$ 30 mil

O reality reuniu 16 participantes em provas que abrangeram as principais cadeias produtivas de MS, como soja, milho, pecuária de corte, cana-de-açúcar e silvicultura.
Por: Wisley Torales

O setor agropecuário brasileiro acaba de registrar um marco na comunicação e na formação profissional. O encerramento do Mestres do Agro, primeiro reality show focado exclusivamente no agronegócio no país, consolidou o Senar/MS (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso do Sul) como o epicentro da qualificação técnica no estado. A grande final, que premiou a ex-aluna Ana Luiza com R$ 30 mil, demonstrou que o conhecimento aplicado é o divisor de águas na gestão de propriedades rurais modernas.

A vencedora, formada pelo polo de Sidrolândia, superou desafios que simularam a pressão cotidiana das fazendas. "Vou investir nos meus estudos", afirmou Ana Luiza logo após a conquista, sintetizando o propósito da iniciativa: elevar o patamar educacional de quem opera a porteira para dentro. O reconhecimento da qualidade técnica foi tão elevado que a diretoria do Sistema Famasul anunciou, de forma inesperada, um prêmio de R$ 10 mil para o segundo colocado, Jhonatan Vale.

A vitrine da educação profissional

O projeto nasceu com a premissa de retirar o ensino técnico dos livros e colocá-lo sob os holofotes. Ao longo de seis episódios, o programa mostrou que a formação oferecida pelo Senar/MS prepara o profissional para tomar decisões estratégicas, gerir custos e encarar gargalos produtivos com precisão. O reality transpôs a barreira do entretenimento ao se tornar um documento prático sobre a capacidade da mão de obra sul-mato-grossense.

Marcelo Bertoni, presidente do Sistema Famasul, destacou que o cumprimento da proposta superou as expectativas iniciais. Segundo o dirigente, a exposição do nível de qualificação dos alunos serve como um balizador para o mercado de trabalho, que demanda cada vez mais gestores capacitados e menos operadores puramente manuais. A transformação de vidas por meio do ensino técnico foi o fio condutor de toda a narrativa da temporada.


Destaque: O reality reuniu 16 participantes em provas que abrangeram as principais cadeias produtivas de MS, como soja, milho, pecuária de corte, cana-de-açúcar e silvicultura.


Desafios técnicos: do arame ao fluxo de caixa

A finalíssima, gravada no Centro de Excelência do Senar/MS, em Campo Grande, exigiu dos finalistas um vigor híbrido. Na primeira etapa, realizada em dupla, os competidores precisaram executar tarefas fundamentais da infraestrutura rural: a construção de dois lances de cerca com cinco fios de arame, seguindo rigorosas especificações técnicas, e a montagem de um canteiro de mudas com sistema de irrigação por gotejamento.

Nesta fase, critérios como acabamento, estanqueidade do sistema e respeito às normas de instalação foram avaliados minuciosamente. A prova reforçou que o técnico em agronegócio precisa dominar a execução para poder orientar equipes de campo com autoridade. No entanto, o desafio seguinte elevou a barra para o campo da inteligência administrativa e financeira, onde muitos produtores ainda encontram dificuldades.

Individualmente, os finalistas tiveram que calcular indicadores complexos de uma propriedade rural modelo. A tarefa incluiu a apuração da renda bruta, o detalhamento de custos operacionais e a projeção de margens de lucro. A mensagem foi direta: o profissional do agro moderno precisa ser tão habilidoso com a calculadora e planilhas quanto é com o manejo direto da terra ou do rebanho.

Rigor metodológico e curadoria técnica

Diferente de realities de entretenimento comum, o Mestres do Agro contou com a curadoria direta do departamento técnico do Sistema Famasul. Foram esses especialistas que desenharam as provas, definiram as regras e estabeleceram os pesos de cada avaliação. Cada desafio foi baseado em dores reais do produtor rural brasileiro, garantindo que o programa tivesse uma conexão genuína com a economia do estado.

O acompanhamento técnico garantiu que os resultados fossem apurados com imparcialidade e rigor científico. Essa estrutura permitiu que o programa demonstrasse a força do time que atua no dia a dia da assistência técnica e gerencial. A presença dos técnicos na organização validou cada etapa como um simulacro fiel da rotina produtiva, desde a análise de solo até a entrega final do produto.

Cadeias produtivas em xeque

Durante toda a temporada, os 16 participantes foram testados em ambientes diversificados. Na silvicultura, o foco recaiu sobre a rotina florestal e o manejo de precisão. Na bovinocultura de corte, as câmeras registraram provas em confinamento, onde o tempo de reação e a precisão no manejo nutricional são determinantes para a rentabilidade do lote. A leitura de campo e o planejamento foram os pilares das etapas voltadas à lavoura de grãos.

O setor sucroenergético também teve espaço garantido. Em provas envolvendo a cana-de-açúcar, os competidores realizaram cálculos de produtividade e avaliações de perdas na colheita. Essas dinâmicas evidenciaram que a eficiência operacional é o único caminho para a sustentabilidade econômica em mercados de commodities. O programa provou que o agronegócio brasileiro é, acima de tudo, uma atividade de alta tecnologia e estratégia.

A produção envolveu dezenas de profissionais de audiovisual e especialistas do setor, garantindo uma entrega que une agilidade narrativa e profundidade técnica. Ao encerrar este ciclo, o Senar/MS não apenas entrega um prêmio em dinheiro, mas apresenta ao mercado de trabalho um grupo de profissionais testados sob pressão e validados por uma das instituições de ensino rural mais respeitadas do mundo.

Ana Luiza agora retorna ao campo com o título de primeira "Mestre do Agro" do Brasil, carregando a responsabilidade de aplicar os R$ 30 mil na continuidade de sua formação. O movimento sinaliza que, para o agronegócio de Mato Grosso do Sul, o investimento em pessoas continua sendo o ativo mais rentável do balanço patrimonial.