
O produtor rural de Mato Grosso do Sul enfrentou um mês de fevereiro marcado pelo excesso de umidade e pela forte variabilidade climática. De acordo com o balanço consolidado pelo Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec/MS), a precipitação acumulada ficou acima da média histórica na maioria dos pontos de observação. O cenário de 2026 superou significativamente os volumes registrados nos dois anos anteriores, impactando o ritmo das colheitadeiras e a logística de transporte no campo.
Em sete localidades específicas, o volume de chuva ultrapassou o dobro do previsto para o período. O caso mais emblemático foi o de São Gabriel do Oeste, importante polo agrícola do estado, onde choveu 665,2 milímetros durante o mês — um índice impressionantes 288% superior à média histórica. Esse excesso de água no solo traz desafios para a retirada da soja e pode interferir na qualidade dos grãos em áreas de colheita tardia.
Outras cidades como Corguinho, Camapuã, Campo Grande e Corumbá também viram os índices ultrapassarem a média em mais de 100%. No balanço geral, dos 65 pontos monitorados pelo Cemtec/MS, 55% registraram chuvas acima do normal, enquanto 45% ficaram abaixo do esperado, evidenciando uma distribuição irregular que é característica do regime de monções na região.
Enquanto o centro e o norte do estado lidaram com o excesso de chuva, o Vale da Celulose e o extremo Sul apresentaram um cenário oposto. Em Paranaíba, o índice de precipitação foi de apenas 29,8 milímetros, o que representa uma queda de 84% em relação à média histórica. Já em Itaquiraí, no Sul, o volume de 64,4 milímetros ficou 56% abaixo do esperado.
Essa disparidade regional exige cautela no manejo das pastagens e das lavouras de segunda safra. Na capital, Campo Grande, os volumes foram expressivos em todos os pontos de medição. A estação localizada na UFMS registrou 404,8 milímetros, valor 130% acima da média da cidade (170 mm). Outros pontos, como a UPA Aparecida Gonçalves Saraiva e o Jardim Panamá, também superaram a marca dos 360 milímetros.
| Localidade | Volume Registrado (mm) | Comparação com a Média |
| São Gabriel do Oeste | 665,2 | + 288% |
| Campo Grande (UFMS) | 404,8 | + 130% |
| Camapuã | Acima da Média | + 100% |
| Itaquiraí | 64,4 | - 56% |
| Paranaíba | 29,8 | - 84% |
A comparação com os anos anteriores mostra que fevereiro de 2026 foi atípico. Em 2025, apenas três pontos monitorados ficaram acima da média no mesmo período. Já em 2024, o cenário foi de seca predominante, com 34 pontos abaixo da média histórica. O retorno das chuvas volumosas em 2026 altera o planejamento de médio prazo das fazendas, especialmente no controle de pragas e doenças fúngicas favorecidas pela umidade.
Além da chuva, a amplitude térmica foi um fator de destaque em fevereiro. O estado registrou uma diferença de 23°C entre a temperatura mínima e a máxima. O pico de calor ocorreu em Fátima do Sul, no dia 18, com 39,4°C. No extremo oposto, a menor temperatura foi registrada em Amambai, no dia 27, com 16,2°C, refletindo a chegada de massas de ar mais fresco típicas da transição para o outono.
Essa oscilação térmica, associada ao solo encharcado, demanda atenção redobrada do pecuarista. A variação brusca pode causar estresse no rebanho e favorecer problemas respiratórios em animais mais jovens. No campo agrícola, o calor intenso entre os episódios de chuva acelera o ciclo das plantas, mas também aumenta a taxa de evapotranspiração, exigindo que o solo mantenha uma boa cobertura de palhada para preservar a umidade residual.
"A maior temperatura de fevereiro (39,4°C) foi registrada em Fátima do Sul, enquanto a menor (16,2°C) ocorreu em Amambai, demonstrando a forte variabilidade térmica no estado."
Apesar do fevereiro chuvoso, o horizonte para o próximo trimestre (março, abril e maio) exige planejamento para um cenário de menor umidade. Historicamente, este período registra entre 200 e 500 milímetros em Mato Grosso do Sul, sendo os maiores volumes esperados para o Sul e Sudeste. No entanto, os meteorologistas do Cemtec/MS preveem que o volume de chuvas ficará abaixo da média histórica em 2026.
Essa projeção é um sinal de alerta para quem está implantando o milho safrinha. Com a perspectiva de chuvas escassas no outono, a rapidez no plantio e a escolha de híbridos com maior tolerância ao estresse hídrico tornam-se decisões estratégicas fundamentais para garantir a produtividade. O produtor deve focar na preservação da água no solo e no monitoramento constante das previsões de curto prazo.
A redução das chuvas nos próximos meses também pode impactar o nível dos reservatórios e a recuperação das pastagens para o período de inverno. A gestão de estoque de volumoso para o gado deve ser antecipada, considerando que a janela de chuvas pode se fechar mais cedo do que o habitual neste ano.
O acompanhamento técnico das condições climáticas é realizado diariamente pelas estações meteorológicas distribuídas por todo o Mato Grosso do Sul.