
O avanço da criminalidade no meio rural deixou de ser um problema localizado para se tornar um desafio de segurança nacional. Durante a Conferência iLab-Segurança 2026, realizada nesta semana em Brasília, o presidente do Sistema Famasul e diretor-secretário da CNA, Marcelo Bertoni, reforçou a urgência de uma articulação federativa para asfixiar economicamente as organizações criminosas que impactam o setor produtivo. O evento reuniu as cúpulas das forças policiais de todo o Brasil para alinhar diagnósticos e fortalecer o combate ao crime no agronegócio.
A segurança no campo é uma das pautas mais sensíveis para o produtor rural brasileiro. Como presidente da Comissão de Assuntos Fundiários da CNA, Bertoni destacou que a tranquilidade para produzir é o que sustenta a competitividade do setor. A participação da Famasul no iLab 2026 buscou não apenas apresentar as dores do produtor, mas também consolidar modelos de sucesso, como o patrulhamento rural desenvolvido em Mato Grosso do Sul, que tem servido de inspiração para outras unidades da federação.
Em Mato Grosso do Sul, a parceria entre o setor produtivo e o poder público resultou em avanços práticos. O Sistema Famasul foi peça-chave na criação do Batalhão de Polícia Militar Rural em 2022, dentro de um programa estruturado que une tecnologia e policiamento de proximidade. Essa atuação conjunta permitiu a implementação do programa “Campo Mais Seguro”, que já distribuiu 15 mil placas de identificação em propriedades, otimizando o tempo de resposta das equipes em caso de ocorrências.
Os indicadores criminais em Mato Grosso do Sul apresentam uma queda acentuada desde a implementação das patrulhas rurais. Entre 2024 e 2025, o trabalho de inteligência e campo resultou no cumprimento de 30 mandados de prisão e na recuperação de mais de 40 veículos. A retirada de circulação de 20 armas de fogo ligadas diretamente ao abigeato (furto de gado) representa um golpe importante na logística de grupos especializados que aterrorizavam comunidades rurais.
O uso de tecnologias de monitoramento, como drones, transformou o cenário operacional em 2025. Somente com o suporte aéreo, as forças de segurança apreenderam mais de 4 toneladas de drogas e recuperaram 60 animais furtados, gerando um prejuízo superior a R$ 9 milhões ao crime organizado. Ao todo, a patrulha já realizou mais de 31 mil visitas preventivas, estabelecendo um canal direto de confiança entre o policial e o produtor rural.
“Estar aqui e acompanhar as inovações relacionadas ao tema ajuda a garantir a segurança no meio rural”, comenta Marcelo Bertoni, destacando a importância da modernização das polícias.
A efetividade das ações reflete-se na redução expressiva dos índices de criminalidade no estado:
Abigeato: Redução de 50,7%
Roubos: Queda de 45,1%
Furtos: Diminuição de 31,5%
Homicídios Dolosos: Redução de 28,2%
A Conferência iLab-Segurança 2026 é o principal palco de integração entre os Conselhos Nacionais de segurança pública. Neste ano, o foco é a interrupção do fluxo financeiro do crime organizado dentro dos setores produtivos. O debate busca novos marcos regulatórios que facilitem a regulação eficiente e a cooperação entre o Estado e a iniciativa privada. A presença de secretários estaduais e comandantes-gerais permite que experiências operacionais do dia a dia no campo sejam transformadas em propostas de lei.
Humberto Miranda, vice-presidente da CNA e presidente da Faeb, também participou da abertura, reforçando que a insegurança afeta diretamente a sucessão familiar e o investimento tecnológico nas fazendas. Para as lideranças do agro, a unificação das forças de segurança gera uma expectativa positiva de que o problema será enfrentado com inteligência financeira e repressão qualificada, e não apenas com ações isoladas.
O painel “Segurança no Campo”, realizado nesta quarta-feira (4), aprofundou as discussões sobre o enfrentamento da criminalidade rural. Com a presença de Sandro Avelar, secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, e de Rodney Miranda, consultor da CNA, o debate focou em estratégias para ampliar o monitoramento remoto e a interação entre sindicatos rurais e delegacias especializadas.
O diretor-geral do Senar, Daniel Carrara, ressaltou que a proteção ao meio rural é uma das prioridades máximas da gestão de João Martins à frente do Sistema CNA/Senar. O incentivo para que o produtor participe ativamente dos conselhos de segurança locais tem sido uma constante, visando criar um ecossistema de proteção que envolva desde o pequeno agricultor até os grandes complexos agroindustriais.
Mato Grosso do Sul, pela sua posição de fronteira, enfrenta desafios adicionais, como o tráfico de drogas e o contrabando de insumos, que muitas vezes utilizam as estradas rurais como rotas de fuga. O fortalecimento do Batalhão Rural e a integração de dados com a Polícia Científica têm sido determinantes para identificar e desarticular essas quadrilhas, garantindo que o estado continue sendo um ambiente seguro para o investimento estrangeiro e o desenvolvimento sustentável.
A participação de Marcelo Bertoni em Brasília assegura que as especificidades do agro sul-mato-grossense sejam levadas em conta na formulação da nova Política Nacional de Segurança Pública. O compromisso da Famasul permanece em defender medidas que tragam paz para quem trabalha no campo e segurança para as famílias que residem nas propriedades rurais de Mato Grosso do Sul.
O Batalhão de Polícia Militar Rural de MS realizou 52 operações estratégicas nos últimos três anos, incluindo a Operação Falcão.