Calor e seca provocam quebra na produtividade da soja em MS
Publicado em 18/03/2026 08h50

Calor e seca provocam quebra na produtividade da soja em MS

A Conab confirmou que o estresse térmico e a escassez hídrica reduziram o potencial produtivo da soja no Sul e Oeste de Mato Grosso do Sul nesta safra.
Por: Redação

As máquinas avançam sobre as lavouras de Mato Grosso do Sul em um cenário de forte heterogeneidade. O 6º Levantamento da Safra 2025/26, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), revela que a colheita, iniciada de forma tímida em fevereiro, ganhou tração a partir do segundo decêndio do mês. No entanto, o rendimento das colheitadeiras entrega o resultado de um verão marcado por extremos climáticos em regiões estratégicas do estado.

O relatório técnico detalha que as porções Oeste e Sul do território sul-mato-grossense foram as mais castigadas. Nestas localidades, a combinação de altas temperaturas com a falta de umidade no solo durante fases críticas do desenvolvimento da cultura provocou quebras significativas. O estresse hídrico impediu o enchimento pleno dos grãos, consolidando perdas que variam conforme a mancha de solo e o período de plantio.

DADOS DO LEVANTAMENTO: A quebra de produtividade foi severa em pontos onde a falta de umidade coincidiu com o pico de calor, afetando o peso final de mil grãos (PMG).

Um componente que agravou o quadro nestas regiões foi a pressão biológica. A Conab registrou que, justamente nas áreas debilitadas pelo clima, houve um ataque relevante de mosca-branca. Plantas sob estresse hídrico tornam-se alvos mais fáceis para pragas sugadoras, o que exigiu do produtor um monitoramento rigoroso e elevação nos custos com defensivos em um momento de incerteza sobre a colheita.

Por outro lado, o levantamento traz um alento para as áreas que escaparam do veranico mais severo. De maneira geral, a maior parte das lavouras do estado encontra-se em estádios reprodutivos com bom potencial produtivo. Esse desempenho foi garantido pela regularização das precipitações ao longo de janeiro e pela frequência satisfatória de chuvas em fevereiro, que permitiram a recuperação de plantas semeadas mais tarde.

O aspecto fitossanitário também demanda atenção redobrada nesta reta final. A umidade relativa do ar elevada, somada ao calor típico do Centro-Oeste, criou o ambiente perfeito para o avanço do percevejo-marrom (Euschistus heros). A pressão da praga é maior em áreas que estão entre os estádios R3 (início da formação de vagens) e R6 (grãos cheios), exigindo intervenções localizadas para evitar danos diretos à qualidade do grão.

ALERTA FITOSSANITÁRIO: Condições de alta umidade prolongada favoreceram o surgimento pontual de manchas foliares, demandando aplicações preventivas de fungicidas.

O relatório indica que a logística de colheita em Mato Grosso do Sul deve atingir seu pico nas próximas semanas. Com a maior frequência de chuvas em fevereiro, as janelas de trabalho tornaram-se mais curtas, o que pressiona a frota de caminhões e a estrutura de recebimento das cooperativas. O produtor agora corre contra o tempo para retirar o grão do campo e evitar perdas por excesso de umidade na planta madura.

Nas regiões onde o clima colaborou, a expectativa é de que a produtividade média compense, em parte, os prejuízos registrados nas áreas de quebra. A Conab segue monitorando as variáveis climáticas de março, que serão determinantes para consolidar os números finais desta safra, especialmente para as lavouras de ciclo mais longo que ainda estão finalizando o ciclo reprodutivo.

A disponibilidade de máquinas e a manutenção das estradas rurais são pontos de atenção para o escoamento. Com o solo encharcado em algumas regiões, o tráfego de veículos pesados torna-se mais difícil, elevando o valor do frete curto entre a fazenda e o armazém. A estratégia de comercialização do produtor também é influenciada pelo ritmo da colheita, com muitos aguardando a confirmação do volume total para fechar contratos de venda futura.

A safra 2025/26 de Mato Grosso do Sul reforça a necessidade de investimento em tecnologias de resiliência climática, como o plantio direto bem estruturado e a escolha de variedades com maior tolerância ao calor. A variabilidade dos resultados entre diferentes microrregiões do estado demonstra que o manejo localizado e o seguro agrícola continuam sendo ferramentas de gestão indispensáveis para a sustentabilidade da atividade.