
A força da pecuária sulista ficou evidente nas pistas do Parque de Exposições Governador José Richa. O primeiro dia de julgamentos da categoria rústicos no Mundial Brangus 2026 foi marcado pelo domínio de cabanhas do Rio Grande do Sul, que asseguraram premiações de destaque em diferentes categorias, desde terneiras até animais adultos.
A Fazenda VR, localizada em Lajeado (RS), protagonizou um dos momentos mais marcantes do evento. Estreante em competições solo, a propriedade arrematou o título de Trio Grande Campeão Top Terneira. As fêmeas que compuseram o trio vitorioso (box 03) carregam as tatuagens FIVB560, FIVB568 e FIVB576.
O pecuarista Everaldo Reginatto, que atua no segmento logístico e dedica-se à raça há apenas uma década, celebrou o resultado como uma validação do manejo aplicado na propriedade. Segundo o criador, o sucesso em uma pista de nível internacional como a de Londrina é fruto de um equilíbrio exato entre o investimento genético e o rigor no preparo dos animais para a exposição.
Outro nome de peso que brilhou na arena paranaense foi a Cabanha Quatro Linhas, de Guaíba (RS). De propriedade do treinador de futebol Luiz Antônio Venker Menezes, o Mano Menezes, o criatório faturou o título de Melhor Terneira dos Trios do Mundial. O animal de destaque foi a fêmea B612, integrante do box 10.
Embora o conjunto não tenha vencido na avaliação coletiva de trios, a individualidade da terneira se impôs aos olhos dos jurados. O gerente da Quatro Linhas, Álvaro Dumoncel, revelou que o animal é descendente do touro Macon e possui linhagem da JMT. O criatório já planeja novos passos para o futuro, com a incorporação de genética argentina da La Sultana e do selecionador Mauricio Groppo.
"Vencer no Mundial é a prova de que o trabalho que estamos fazendo é fruto de um olho apurado para a seleção." — Everaldo Reginatto, Fazenda VR.
A Estância Itamainó, de São Pedro do Sul (RS), também garantiu seu espaço no pódio ao conquistar o prêmio de Melhor Fêmea dos Trios. A vitória veio com a vaca jovem R422, um exemplar fruto de uma parceria estratégica com a cabanha argentina Doña Evangelina, reforçando o intercâmbio genético entre os países do Mercosul.
No julgamento dos machos, a hegemonia gaúcha continuou com a Cabanha Vacacaí, de São Gabriel (RS). Os animais do box 56 (M1024FIV, M1058FIV e M1070FIV) foram consagrados como o Trio Grande Campeão Brangus do Mundial. Este mesmo conjunto já havia demonstrado seu potencial ao vencer a Expobrangus 2025 em Uruguaiana (RS).
Raul Southall, proprietário da Vacacaí, destacou a dificuldade da pista em Londrina, classificando-a como "pesada" devido ao alto nível técnico dos concorrentes. O criador sinalizou que a expectativa para os próximos dias de julgamento — gado de argola e rústicos restantes — permanece elevada, buscando manter a sequência de premiações.
O julgamento foi conduzido por Marcos Borges Júnior, que avaliou o plantel como "super moderno". O jurado enfatizou características como profundidade de costelas, correção de aprumos e comprimento dos exemplares. Além do fenótipo, os dados de ultrassonografia de carcaça foram fundamentais para a tomada de decisão, comprovando a evolução da raça em ganho de peso e qualidade de carne.
Para Gabriel Barros, presidente do Núcleo Brangus Sul, o desempenho dos criadores reflete o investimento contínuo do estado, que levou a maior delegação para o evento. O Rio Grande do Sul concentra historicamente o maior rebanho da raça no Brasil, o que explica a densidade técnica apresentada nas competições nacionais e internacionais.
O Mundial Brangus 2026 segue com sua programação oficial em Londrina, com os julgamentos de animais de argola previstos para este sábado (21/03).