
A pecuária de Mato Grosso do Sul reafirmou seu protagonismo global nesta terça-feira (24), ao receber as delegações do Congresso Mundial de Brangus. A Fazenda Indaiá, localizada em Paraíso das Águas, foi o cenário de uma imersão técnica que uniu produção de campo e experiência gastronômica. A programação contou com uma desossa ao vivo realizada pela Vermelho Beef, marca que utiliza a genética da propriedade para atender os mercados mais exigentes do país.
O evento reuniu cerca de 300 participantes vindos de nações como Estados Unidos, Argentina, África do Sul e Tailândia. O objetivo central foi demonstrar como o controle rigoroso de processos, desde a concepção do animal até a gôndola, resulta em um produto de alto valor agregado. Os visitantes acompanharam cada etapa do fracionamento da carcaça, visualizando o marmoreio e a conformação que caracterizam a raça Brangus em ambiente tropical.
Para o diretor de operações do Grupo Vermelho, Eduardo Fornari, a participação no mundial valida a estratégia de focar no equilíbrio entre maciez, sabor e suculência. Ele destaca que a escolha pelo Brangus permite trabalhar com animais mais maduros, garantindo uma experiência sensorial superior ao consumidor final. A empresa assume a responsabilidade de ser o elo final de uma cadeia produtiva que leva entre três e quatro anos para ser finalizada.

O diferencial produtivo da Fazenda Indaiá baseia-se no domínio completo do ciclo biológico dos animais. O gerente administrativo, Clóvis Guidelli Garcia Júnior, enfatiza que a transparência na desossa ao vivo serviu para educar o público sobre o que compõe uma carne de qualidade internacional. O acompanhamento começa na gestação, passa pela recria e termina em um acabamento de carcaça que atende padrões globais de exportação.
A utilização da raça Brangus é estratégica para o sistema adotado em Mato Grosso do Sul. A precocidade e a habilidade materna da raça, aliadas à tecnologia de manejo nutricional, permitem que a fazenda entregue um produto homogêneo durante todo o ano. Esse controle de fases é o que sustenta o padrão da Vermelho Beef, assegurando que o cliente receba a mesma qualidade encontrada nas melhores casas de carne do mundo.
Roberto Grecellé, executivo da Associação Brasileira de Brangus, pontuou que o congresso de 2026 coloca o Brasil em pé de igualdade com grandes produtores como México e Argentina. A diversidade de biomas visitados durante o roteiro técnico impressionou as comitivas estrangeiras. O Brangus demonstrou adaptabilidade e eficiência produtiva em diferentes realidades geográficas, confirmando sua versatilidade para a pecuária brasileira.

O debate técnico durante a visita também abordou a complementaridade racial entre o gado zebuíno e o taurino. A combinação entre o Brangus e o Nelore foi citada como a receita de sucesso para o desenvolvimento da pecuária nos trópicos. Essa união genética confere rusticidade para enfrentar o clima brasileiro e a qualidade de carne necessária para competir no mercado de cortes premium, onde o marmoreio é altamente valorizado.
O evento em Paraíso das Águas encerra um ciclo de visitas que percorreu cinco estados brasileiros. A Vermelho Beef aproveitou a vitrine internacional para reforçar que a tecnologia e o manejo integrado são as ferramentas que transformam a commodity em alimento gourmet. A conexão direta entre quem produz dentro da porteira e quem consome no restaurante foi o principal "produto" exportado aos visitantes durante a degustação.
Mato Grosso do Sul se consolida, assim, como um hub de inteligência pecuária. A capacidade de receber delegações globais e apresentar um sistema de produção transparente eleva o status sanitário e técnico do estado. O Mundial Brangus 2026 deixa um legado de cooperação internacional e comprova que a carne sul-mato-grossense possui todos os atributos para liderar a nova era da pecuária focada em qualidade e sustentabilidade.